As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/06/2022
Francis Bacon, ao relacionar conhecimento ao poder, afirmou que o saber fornece meios para alterar os panoramas vividos pela sociedade. Contudo, ao observar a fuga de cérebros no Brasil, certifica-se que a tese do filósofo diverge da realidade brasileira, haja vista a carência reflexiva sobre as consequências da persistência de tal problema para o Brasil. Nesse viés, é inegável que a escassez de profissionais qualificados irá afetar não apenas a estagnação do Produto Interno Bruto (PIB), como também o desenvolvimento tecnológico do país.
De início, pode-se afirmar que há uma relação direta entre a saída de profissionais extremamente qualificados e a estagnação do PIB brasileiro, tendo em vista que esse processo dificulta o crescimento de empresas nacionais e mantém o mercado de trabalho desvalorizado. Analogamente, é inegável que o engrandecimento econômico está aliado ao fabril, como exemplificado nas Revoluções Industriais, as quais alavancaram a economia e a qualidade de vida dos países pioneiros, como a Inglaterra. A fuga de cérebros provoca um efeito econômico negativo de longo prazo, contribuindo para a paralisia econômica da sociedade e perda da competitividade econômica do país em nível mundial. Logo, sem a valorização necessária, a fuga dos cérebros não condiciona perspectivas de crescimento econômico, “construindo” um país dependente da venda apenas de commodities.
Outrossim, é inquestionável a interferência da evasão de gênios no desenvolvimento tecnológico do país. E isso acontece devido às poucas oportunidades de financiamentos de pesquisas, bem como as limitadas ofertas de bolsas estudantis. Nessa óptica, segundo a obra “Uma teoria da justiça", do teórico estadunidense John Rawls, pontua que um governo íntegro busca disponibilizar recursos financeiros a todos os setores públicos, visando promover oportunidades a todo cidadão. Entretanto, a realidade deturpa a teoria, haja vista as discrepantes condições sociais que vivem os estudantes brasileiros, principalmente os de instituições públicas, tais condições limitam o aprofundamento de pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias nacionais