As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 01/06/2022
O ambiente acadêmico brasileiro possui grande potencial de formar pesquisadores e trabalhadores qualificados, os quais são indispensáveis ao desenvolvimento científico e, portanto, ao avanço tecnológico. No entanto, muitos desses indivíduos, apesar de formados no Brasil, deixam-no e passam a produzir conhecimento para outros países, fenômeno denominado “fuga de cérebros” e ocasionado pelas condições de trabalho e pesquisa desfavoráveis no país. Isso evidencia a necessidade de incentivar esses cientistas a conduzirem seus trabalhos no Brasil.
Dentre as causas desse evento, pode-se apontar a recente redução no investimento em instituições de ensino superior público, assim como os graves cortes no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo valor atual representa apenas 51,5% do ano 2000. Tal cenário, somadas às melhores ofertas de pagamento e condições infraestruturais de pesquisa, feitas por instituições e empresas de outros países, tornam o Brasil um polo de repulsão para os indivíduos em questão.
Dessa forma, uma porção significativa desses cientistas e da mão de obra qualificada do país migram para nações que atuam como polo de atração, como os EUA e países da Europa, trabalhando e conduzindo suas pesquisas fora de seu país de origem. Assim, além de perder a oportunidade de gerar conhecimento e tecnologias, que poderiam aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional, o país, para usufruir desse desenvolvimento, deverá consumi-lo, a um custo elevado, o que representa um prejuízo, a longo prazo, à nação.
Portanto, tendo em vista a conjuntura desfavorável à pesquisa no Brasil e suas consequências negativas, é de suma importância que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e o da Educação incentivem a pesquisa no país. Isso pode ser feito, respectivamente, por meio da elevação do valor das bolsas de mestrado e doutorado e, também, com investimentos maiores na infraestrutura das universidades federais. Assim, é possível desincentivar, efetivamente, a fuga de cérebros e, portanto, fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil.