As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/06/2022

Segundo o artigo 218 da Constituição Federal de 1988, o desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica deve ser priorizado pelo Estado. No entanto, no Brasil, esta prerrogativa não é cumprida, visto que o fenômeno da fuga de cérebros - emigração de profissionais qualificados que procuram por países que ofereçam reais oportunidades em suas áreas de atuação - está ocorrendo com mais frequência. Tal problemática é devida à negligência governamental e, tem como consequência a longo prazo, a dependência tecnológica diante de outros países.

Em primeira análise, é válido apontar a despreocupação do Estado em dispor verbas aos profissionais do país como fator principal da fuga de cérebros. Analogamente, o filósofo John Rawls afirma que um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros a todos os setores. Apesar da definição do filósofo, os pesquisadores brasileiros carecem de tal comprometimento, levando-os a optar pelo êxodo e, consequentemente, obter maior acessibilidade às tecnologias de ponta.

Ademais, os atos de irresponsabilidade das autoridades têm consequências que, a longo prazo, impactam no futuro do país. Um exemplo, é o que ocorreu com a bióloga Bianca Ott Andrade, que mudou-se para o exterior para finalizar seu doutorado e obter melhores oportunidades que não encontrava no Brasil. Isso frequentemente causa uma dependência tecnológica diante do exterior, isto é, o fato de a mão de obra especializada do país ser escassa, corrobora em sua submissão à importação de tecnologias, enquanto era plausível a produção própria caso houvesse valorização dos profissionais e disposição de recursos.

Destarte, medidas são necessárias para atenuar o problema mencionado. Para isso, urge ao Ministério da Ciência e Tecnologia promover, por meio de diretrizes políticas, bolsas de estudos direcionadas a pesquisadores brasileiros em ascensão. Tal atitude tem como objetivo não apenas reduzir o fenômeno da fuga de cérebros, mas também aprimorar a área de pesquisas do país, tendo como resultado, um país mais desenvolvido e que valoriza o estudo.