As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 27/06/2022
Em sua pintura “Os Retirantes”, o artista Cândido Portinari retrata pessoas saindo de seu lugar de origem em busca de melhores condições de vida. Consoante à obra, tem-se o fenômeno da fuga de cérebros, que ocorre quando pesquisadores e cientistas migram para outros países, os quais apresentam melhores oportunidades aos seus talentos. Dessa forma, essa realidade se deve à inoperância Estatal e à falta de debate acerca do tema.
Em primeiro plano, ressalta-se a indiligência do governo - que reflete ao estado patológico, de crise, descrito pela “Teoria da Percepção Coletiva” de Émile Durkheim - ao apresentar tendências de não investir em programas que garantam verbas destinadas à ciência e aos centros de pesquisas brasileiros, deixando os profissionais sem âmparo rentacional. Consequentemente, sem o respaldo governamental, se torna quase impossível o desenvolvimento de estudos que poderiam auxiliar no melhoramento da nação.
Ademais, destaca-se a falta de discussão como outro desafio. Segundo Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, é visto a falta de informações sobre a fuga de cérebros. A mídia falta em mostrar a frequência com que o Brasil perde inteligências, e como resultado a população não percebe as consequências de tais perdas. Logo, sem uma mudança no comportamento midiático, a sociedade continuará a não poder reivindicar soluções.
Portanto, a fim de minimizar a problemática, é imprescindível que o Poder Público aja através da criação de projetos que destinem fundos às pesquisas, com o intuito de segurar as inteligências no local de origem. Além disso, a mídia necessita informar a população, por meio de propagandas nos meios comunicativos, os prejuízos que a fuga de cérebros causa no país. Só assim a obra de Portinari poderá ser desvinculada dessa realidade.