As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 07/07/2022

Conhecido por ser a fazenda do mundo o Brasil é um dos maiores produtores de recursos alimentícios do planeta: soja, açúcar e carne bovina são alguns exemplos. Visto isso, o país prioriza investimentos nas áreas de commodities, o que deixa a área da tecnologia em segundo plano levando à fuga de cérebros, que com o passar do tempo faz o Brasil perder autoria de novos avanços tecnológicos além de deixar o país submisso ao uso das tecnologias de outros países.

Em primeiro plano, vale-se ressaltar que os investimentos tecnológicos no Brasil estão sendo muito negligenciados. No período de 2015 até 2020 houve uma redução de 65% nos investimentos nos principais fundos de apoio à pesquisa cientifica e tecnológica no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em virtude disso, o Brasil perde talentos que buscam melhores oportunidades em países estrangeiros, causando a perda da autoria de novas tecnologias e pesquisas cientificas.

Ademais, a falta de desenvolvimento tecnológico no Brasil o leva a ser resignado aos países mais desenvolvidos, causando a “Doença holandesa” onde, a existência de recursos naturais abundantes em um país tende a diminuir seu desenvolvimento econômico, já que, o aumento da receita a partir da exportação de matérias-primas causa prejuízos na exportação de bens manufaturados. Logo, no Brasil, segundo o Ministério da Economia, em 2019, 34,6% das exportações foram produtos manufaturados que troxeram um prejuízo para o país.

Portanto, conclui-se que a fuga de cérebros no Brasil leva a consequências como: perda de autoria em novas descobertas e tecnologias e também submissão a tecnologias de países mais desenvolvidos. Dessa forma, cabe ao Estado priorizar sua atenção para reter novos pesquisadores no país, já que de acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física/USP “A parte mais criativa da vida de qualquer cientista é logo depois de se formar; ele está cheio de energia, cheio de ideias novas na cabeça e é muito frustrante para esses jovens não terem oportunidade no seu próprio país”, isso seria possível por meio do aumento nos investimentos em pesquisas e garantia de empregos, para que, dessa forma o Brasil não sofra com as consequências de perde-los para outros países.