As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/08/2022
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todo indivíduo o direito ao trabalho e ao bem-estar social. Conquanto, a fuga de cérebros impossibilita que parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro. Como a não assistência do governo e os cortes nas áreas de pesquisa.
É indubitável que a falta de oportunidades de emprego estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristoteles, a política deve ser de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a diminuição de recursos e de concursos na área rompe com essa harmonia, haja vista que a insegurança em relação ao futuro de estudantes e recém formados leva-os a procurar essas oportunidades no exterior, de acordo com o G1. Como resultado, o Brasil acabará tendo uma defasagem nessa esfera e terá que importar os resultados das pesquisas de seus nativos.
Faz-se mister, ainda, salientar o risco de não pagamento dos bolsistas como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo Polonês, a falta de solidez nas relações econômicas, sociais e políticas é característica da modernidade líquida vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é notório a insensibilidade do governo com o âmbito de pesquisa, seus custos e benefícios causam a tal liquidez na sociedade, visto que a mesma é fortemente influenciada pelo individualismo, fator que favorece a fuga de profissionais qualificados.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Diante disso, urge que o Estado forneça mais investimentos e mais oportunidades de emprego, por meio da criação de fundos para pesquisa, espaços adequados e equipados para seu desenvolvimento, como laboratório e institutos, para que a fuga de cérebros diminua e o Brasil possa futuramente atrair profissionais ao invés de causar apatia neles. Assim, torna-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados no documento.