As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 14/08/2022

“A Revolução dos bichos”, livro de George Orwell, conta sobre animais de uma granja que, ao buscarem melhores condições de trabalho, se rebelaram contra o proprietário da fazenda. Não distante da obra, atualmente no Brasil, a procura por circunstâncias mais favoráveis de emprego, tornou persistente a “fuga de cérebros”, gerando diversas consequências a longo prazo. Destarte, faz-se necessário um olhar crítico diante desse obstáculo, o qual tem a ineficiência estatal e o silenciamento como principais causas.

Nesse viés, nota-se uma ausência do Estado no que se refere à evasão de gênios. Consta na Constituição de 1988, o dever do poder público de garantir o desenvolvimento nacional. No entanto, com a crescente saída de cientistas do país, percebe-se o inverso da lei, ou seja, o desenvolvimento nacional tem a tendência a diminuir cada vez mais, uma vez que esses profissionais não encontram oportunidades de emprego que se adequem às suas qualificações. Logo, é mister que o Estado seja mais efetivo em suas obrigações.

Outrossim, a falta de debate configura-se como um entrave no cenário. Djamila Ribeiro, escritora e filósofa, explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade e atuar sobre ela para que soluções sejam promovidas. Nesse contexto, no que tange a contínua saída de pesquisadores brasileiros para outros países, observa-se um silenciamento instaurado, visto que pouco se fala sobre isso nas mídias de massa, consequentemente, tornando o assunto desconhecido para o povo brasileiro. Assim sendo, urge tirar a situação do invisível e atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Em síntese, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática. Para isso, o Estado deve, por meio de diretrizes de investimentos, criar novos e maiores polos de pesquisa, de maneira que aumente o número de concursos e contratações de pesquisadores qualificados, para que não haja a partida de cérebros inteligentes. Deve, ainda, propagar através de comerciais, a questão da “fuga de cérebros”, de modo frequente e detalhado nos horários nobres, a fim de inteirar a todos sobre o problema. Dessa forma, o governo cumprirá com a lei.