As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 01/10/2022
No filme “A fuga das galinhas”, é retratada a elaboração de uma fuga pela perso-nagem, Ginger, em busca de liberdade e uma vida melhor. Análogo ao filme, a po-pulação brasileira passa por um processo de saída do país à procura de oportuni-dade de emprego e garantia de um futuro promissor. Tal atividade é persistente no Brasil, sendo necessário o debate acerca das consequências dessa fuga de cére-bros, tanto no desenvolvimento tecnológico, como no comprometimento do futuro da ciência que reflete uma estagnação econômica.
A priori, de acordo com dado da Receita Federal, cerca de 14 mil brasileiros envia-ram ao órgão a declaração de saída definitiva do país (DSDP) neste ano. Tal dado é reflexo de uma nação em crise, marcada pelo desemprego e sem perspectivas de um futuro empregatício. Dessa forma, ao unir a crise e a saída constante de mão de obra qualificada, o Brasil sofre a médio e longo prazo com a drástica diminuição do seu desenvolvimento tecnológico nacional, tornando-se assim, um financiador dos países ricos que são o destino desse grupo.
Em segunda análise, baseado no relatório de ciências da Unesco, os gastos globa-is com ciência aumentaram em 19% no mundo, enquanto no Brasil o investimento do PIB nessa área diminuiu, correspondendo a apenas 1%. Deste modo, com a mi-gração dos indivíduos com conhecimento técnico na área, a principal consequência para o país é a perda na capacidade de inovação, no desenvolvimento interno de pesquisa e na geração de ciência. Com isso, o resultado é uma estagnação econô-mica no país de origem pela falta do fluxo do capital, tornando-se urgente a inter-rupção dessa diáspora.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), responsável pela formulação e implementação da política nacional de ciência e tec-nologia, crie juntamente com os governos municipais, projetos de doações de bol-sas de incentivo à pesquisa em consonância com a geração de emprego nos cen-tros tecnológicos. Outrossim, é a atuação do Estado na ampliação da destinação do PIB para fortalecimento da ciência no país - com elaboração de um plano de metas anual do uso desse recurso - para que assim, fortalecendo a indústria tecnológica e com garantia do avanço nacional, a rota de fuga seja para o país de origem.