As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 01/10/2022

A Constituição federal de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito a educação gratuita e de qualidade no país, máxima criada na tentativa de impulsio-nar avanços nacionais através da educação. No entanto, na prática, essas melhori-as não são efetivadas, visto que estudiosos formados no Brasil têm deixado o país em busca de melhores condições de trabalho no exterior. Esse cenário nefasto acarreta em consequências negativas para o Brasil, não só com déficits econômicos relacionados a verbas públicas da educação, mas também devido a carência de profissionais qualificados no mercado de trabalho. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar essas consequências.

Em primeira análise, vale destacar que a saída de profissionais especializados do país -fuga de cérebros- é um problema que remete desde a época clássica, em que estudiosos de outras pólis (cidade-estado grega) saiam de sua terra natal para estudar e atuar em Atenas, deixando sua pátria sem indivíduos qualificados. Na sociedade atual, porém, uma vez que o investimento em universidades públicas é alto, o problema é ainda pior, pois grande parte desses profissionais ultilizam verbas públicas em sua educação e não contribuem para o desenvolvimento tecnológico do país após sua formação.

Ademais, vale ressaltar que, a saída de profissionais qualificados do país ocasiona deficit de mão de obra especializada no mercado de trabalho, e consequentemente atraso científico no país. Hodiernamente, segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, se vive um período de revolução técnico científico-infor-macional, em que o grau de desenvolvimento de um país é medido de acordo com seu desenvolvimento tecnológico e com a qualificação de seus profissionais. Devido a isso, nota-se a necessidade de manter a mão de obra qualificada no país para que seja possivel o avanço científico-informacional nacional.

Portanto, é mister que o estado tome providências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de incentivos gover-namentais, campanhas de inclusão do profissional recém formado a empresas nacionais, a fim de integrar rapidamente a mão de obra qualificada ao processo de construção científico informacional brasileiro e efetivar a máxima da Magna Carta.