As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 04/10/2022

A série televisiva, produzida pela plataforma Netflix, “Eu Nunca”, aborda o cotidiano de Devi, uma menina indiana que mora nos Estados Unidos. Na trama, Devi e sua família mudam-se de país em busca de mais oportunidades de emprego e estudos. Fora das telas, muitos brasileiros também mudam-se em busca de melhores condições de vida. Nesse sentido, a negligência governamental somada ao comportamento social são causas da persistência da fuga de cérebros do Brasil.

De início, a omissão do governo é uma das entraves para a permanência no país. Nesse contexto, o sociólogo e jornalista Gilberto Dimenstein afirma, em sua obra “Democracia em pedaços” que, embora o Brasil tenha um sólido aparato legislativo, a falta de efetivação das leis na prática coíbe a cidadania. Nesse sentido, verifica-se que o postulado por Dimenstein justifica-se na falta de oportunidades de emprego e garantias trabalhistas, os quais são previstos na Constituição. Tal fato ocorre devido ao pífio investimento do governo em políticas trabalhistas e incentivos fiscais às empresas para maior contratação. Com isso, as taxas de desemprego aumentam e a população opta deixar o país em busca de oportunidades melhores de trabalho.

Ademais, o comportamento da sociedade também é uma das causas para a problemática em questão. Nesse contexto, o dramaturgo e jornalista brasileiro Nelson Rodrigues afirma, por meio do seu conceito de “Complexo Vira Lata” que, o brasileiro não valoriza sua própria nação, e sim o que vem de fora, o estrangeiro. Sob essa perspectiva, apesar de poder trabalhar e estudar no país, grande parte dos cidadãos valoriza tanto o exterior, que prefere se mudar e recomeçar a vida em outro país.

Torna-se evidente, portanto, que a negligência governamental e o comportamento social potencializam o aumento dos casos de fuga de cérebros no Brasil. Para contornar esse cenário, faz-se necessário que a União, por meio de parceria público-privada, crie incentivos fiscais às empresas que priorizem a contratação de brasileiros e permaneçam com sedes no Brasil, com o objetivo de diminuir as mudanças de país. Desse modo, será possível o alcance dos direitos previstos pela Constituição.