As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 05/10/2022

A obra modernista “Abaporu”, pintada por Tarsila do Amaral, retrata o corpo humano de uma forma crítica, pois os pés do homem aparecem maiores que o normal e sua cabeça diminuída -denunciando que no Brasil muito se pensa na mão de obra braçal e pouco no progresso intelectual-. Como consequência, devido à falta de investimento na área da ciência, muitos brasileiros saem do país em busca de reconhecimento pelo seu potencial, fenômeno chamado de “fuga de cérebros”. Com base nisso, é necessário analisar as consequências de tal ato: contínua depen-dência do mercado externo e comprometimento da sua prosperidade.

Em um primeiro aspecto, deve-se pontuar que, apesar de terem se passado 200 anos desde a Independência da nação, esta ainda continua subordinada ao resto do planeta. Nessa perspectiva, a antropóloga Lília Schwarcz mostra como é preocupante um país que exporta matéria-prima, mas não conhecimeto, já que não investe nele. Diante desse cenário, a problemática citada anteriormente -saída de profissionais com alto intelecto em busca de situações que favoreçam seu desenvolvimento em pesquisas-, apresenta-se como forte potencializadora da manutenção da submissão brasileira e dificulta a saída desse estado.

Sob outra ótica, na visão da jornalista Daniela Harbex, algumas ações tomadas pelo Estado servem como justificativa de que supostamente seu papel está sendo colocado em prática, o que resulta na persistência de seu subdesenvolvimento. A título de exemplo, a construção de centros de ensino serve como justificativa de que é feito investimento na educação, mas ao observar a fuga de cérebros esse argumento é refutado. Nesse sentido, por consequência da perda de potenciais cientistas, o status do Brasil de periferia do capitalismo não é mudado.

Portanto, é imprescindível que algo seja feito para evitar que a nação fique à margem do desenvolvimento. Para isso, o Ministério da Educação deve aumentar o investimento em jovens cérebros -que se interessam principalmente pela área de tecnologia e pesquisas-, para que se evite sua saída para o mercado externo. Isso deve ocorrer, por meio da criação da proposta de aumento da verba orçamentária destinada à essa questão. Com essa medida, a máxima esboçada por Daniela: “é tempo de escrever uma nova história e mudar o final” se tornará realidade.