As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 14/10/2022
Em sua obra “O Espirito das Leis”, Montesquieu enfatizou a importância de se a-
nalisar a realidade social de um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais de a-
cordo com as suas necessidades e abonar o progresso da coletividade. Contudo, ao
observar as consequências a longo prazo da fuga de cérebros, certifica-se que a teteoria do filósofo diverge do cenário brasileiro hodierno, uma vez que a persistên-
cia desse problema corrobora à escassez de mão de obra especializada no territó-
rio nacional, o que coíbe o avanço social do Estado. Assim, é preciso destacar os as-pectos socioculturais e a omissão governamental como fundamentadores do revés.
Em primeiro lugar, é necessário analisar como a falta de discussão acerca da emigração de profissionais qualificados fomenta a problemática. Nessa perspecti-
va, conforme o sociólogo Jurgen Habermas, a razão comunicativa, ou seja, o diálo-
go, constitui-se uma etapa fundamental do desenvolvimento social. Sob essa ótica, a carência de estímulo ao debate acerca da urgência de se combater a saída de pessoas profissionalmente qualificadas do Brasil impede o caráter transformador da deliberação e, como consequência, resulta na falta de indivíduos especializados para desempenhar funções que exijam essa condição. Assim, discorrer criticamen- te é o primeiro passo para a resolução do revés.
Ademais, é importante considerar a ineficácia estatal no que tange à criação de mecanismos que coíbam esse cenário. Nesse contexto, conforme o filósofo Aristó-
teles, o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Entretanto, o deslocamento de estudantes e trabalhadores com alto grau de formação para outros países se contrapõe à concepção do pensador, uma vez que não há políticas públicas eficientes que garantam o apoio financeiro necessário a esses indivíduos, como o investimento de capital em pesquisas científicas. Logo, ações precisam ser executadas pelo Estado para atenuar o problema.
Portanto, urge que a mídia, por meio de programas televisivos de grande audi- ência discuta sobre a persistência da fuga de cérebros com profissionais especialis-tas nessa área, com o intuito de atenuar as consequências do problema a longo prazo e garantir que não falte mão de obra qualificada no Brasil. Além disso, é preciso que o Estado invista capital no setor científico e infraestrutural.