As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 21/10/2022

A série televisiva “Emily em Paris” relata a história de Emily, uma jovem norte-americana que conquista uma oportunidade de emprego na França. Dando início a sua jornada, Emily parte para o novo destino, ainda com o intuito de retornar para seu país natal, ideal esse que vai mudando conforme a jovem constrói sua vida no exterior. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com as consequências advindas da persistente fuga de cérebros no país. Nessa perspectiva, tais desafios devem ser analisados de imediato: a escassez de profissionais qualificados e os impactos socioeconômicos.

Em primeira análise, é relevante abordar que a capacitação profissional é um bem de valor social. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, dentre os direitos que asseguram a dignidade da vida humana estão a livre escolha de emprego e o acesso ao mercado de trabalho, dada sua importância para a valorização intelectual dos indivíduos e a beneficiação social proveniente da atuação dos profissionais qualificados. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido no cenário atual, em que há a saída dos trabalhadores em busca de melhores oportunidades é contínua.

Ademais, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a ascensão dos métodos de estudo, capacitação e tecnologia devem à sociedade o desenvolvimento de suas potências, dentre elas a coesão entre trabalho, economia e bem-estar coletivo. No entanto, têm-se agravado no Brasil os impactos socioeconômicos derivados do êxodo intelectual resultante da falta de possibilidades profissionais no país.

Em suma, as consequências advindas da fuga de cérebros são reflexos da postura social. Assim, medida devem ser tomadas para contornar a situação. Urge que o Ministério da Educação e da Cultura (MEC), por meio de verbas governamentais adequadas e profissionais qualificados, promovam à população melhores perspectivas de estudos e capacitação, a fim de instigar a qualificação de profissionais, fenômeno que irá refletir na esfera socioeconômica do país. Dessa forma, a diáspora intelectual e laboral poderá ser remediada no Brasil.