As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/10/2022
Durante os anos de colonização, o Brasil tinha como principal objetivo exportar suas riquezas, deixando de lado o desenvolvimento da economia interna. Na atualidade, observa-se comportamento semelhante quando se coloca em foco a persistência da fuga de cérebros brasileiros. Tal fenômeno transporta o país tropical de volta a um cenário colonial ultrapassado, no qual a saída de talentos sem retorno financeiro ao território causa dependência tecnológica externa e desestimula a produção intelectual nacional.
De início, é evidente que a lacuna no corpo profissional, deixada por aqueles que emigram buscando melhor valorização de seus conhecimentos, traduz-se na perda de potencial produtivo. Tecnologias que poderiam ser criadas e aplicadas no próprio país, com a fuga de cérebros, são geradas em outros locais, fazendo com que o Brasil tenha que importá-las para obter seu acesso. Dessa maneira, o desenvolvimento se torna dependente das importações - o que atrapalha o progresso da nação.
Ademais, outro entrave apresentado pelo fenômeno é a manutenção do pensamento de que algumas profissões não são valorizadas. Para Émile Durkhein, o fato social é uma forma coletiva de agir e pensar que se internaliza em uma comunidade devido ao contexto no qual ela está inserida. Por essa ótica, a sociedade brasileira atual - permeada por um cenário no qual profissionais só encontram futuro fora do país de origem - está fadada a interpretar a desvalorização de certas carreiras como fato social. Por conseguinte, há o desestímulo a se formar em tais ofícios, contribuindo para o vazio de trabalhadores qualificados dentro do território.
Portanto, urgem-se meios de conter a fuga de cérebros. Cabe ao governo, aliado ao Ministério da Economia, que gerencia os gastos financeiros do Estado, promover o investimento nas universidades federais por meio do aumento da verba destinada a elas, com a finalidade de melhorar a infraestutura dos seus centros de pesquisa e possibilitar bolsas de iniciação científica. Com tais medidas, a produção intelectual brasileira será valorizada e o Brasil poderá deixar suas sombras coloniais e caminhar para o desenvolvimento interno efetivo.