As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 02/11/2022
No livro do século XIX “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o personagem titular migra para Portugal, a fim de formar-se bacharel, já que no Brasil não havia faculdades. Similarmente à ficção, na realidade casos como estes eram comuns, já que a primeira universidade brasileira foi fundada no século XX, demonstrando uma falta de investimento na educação, que continua nos tempos atuais e tem uma consequência similar: a ida de estudiosos para outros países, com intuito de seguir carreiras desvalorizadas no Brasil. Tal fuga, ocasionada pelo corte de verbas, esses ligados a depreciação da ciência e tecnologia, gera também um país sem empregados qualificados e, consequentemente, sem uma economia qualificada.
A priori, deve ser analisado como ocorre uma relação ciclíca entre restrições de verbas para pesquisas, a fuga de cérebros e a marginalização da ciência e da educação. De acordo com Malcolm X “A educação é o passaporte para o futuro, o amanhã é dos que se preparam hoje”, ilustrando que enquanto aquelas áreas não receberem o devido valor e investimento, a migração de pesquisadores continuará e o país permanecerá estagnado. Dessa maneira, o descaso à pesquisa gerado pelos cortes, é inerente a perda de estudiosos aptos, e mantem um país que não se prepara para o amanhã.
Por conseguinte, a fuga dos cérebros motivada por reduções de verbas e desdém pela ciência gera uma nação sem empregados hábeis, tornando a economia pouco qualificada e focada em produtos pouco lucrativos. Segundo o economista Schumpeter, as mudanças só acontecem por meio de uma atração recíproca, ou seja, a economia brasileira só será desenvolvida em produtos especializados e portanto, mais lucrativos, quando houver estudiosos para idealiza-los. Isto posto, é necessário manter cientistas no Brasil para que este se desnvolva e não foque em uma economia pouco lucrativa, de fácil idealização.
Logo, políticas devem ser pensadas para reduzir a fuga de cérebros. Especialmente, o Ministério da Educação e o da Ciência devem aumentar o número de concursos públicos para pesquisadores, por meio de parcerias com o presidente para que não haja mais cortes. Dessa forma, haverá epregos para os cientistas, que não vão mais precisar migrar do país.