As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 10/11/2022

“O Brasil é o país do futuro”, enunciou Stefan Zweig em sua primeira vinda à nação. O historió-

grafo judeu fugiu da Alemanha durante o comando nazista e encontrou sua nova morada no continente sul-americano. Lastimavelmente, seu presságio não se concretizou, visto que a persis-

tência da fuga de cérebros impossibilita que o Brasil se emancipe da ciência e da tecnologia do exterior. Esse panorama é propiciado pela inoperância estatal, o que sujeita o país às crises internacionais.

Sob esse viés, destaca-se que cabe ao Poder Público criar medidas para que a pesquisa científica seja viabilizada. De acordo com o filósofo Aristóteles, a política deve assegurar o bem coletivo. Contudo, no que tange aos pesquisadores, isso não ocorre, pois a falta de investimento em ciência engendra um cenário de insegurança para os trabalhadores desse setor. Segundo a BBC Brasil, aproximadamente 80 mil bolsistas correram o risco de perderem suas bolsas de estudos em agosto de 2018. Embora essa catástrofe não tenha se consolidado, a instabilidade da carreira acadêmica contribui para a permanência da emigração dos cientistas e para a inviabilidade do desenvolvimen-

to tecnológico.

Consequentemente, o país se torna refém dos eventos que ocorrem internacionalmente. Em relação à agricultura, por exemplo, o baixo incentivo à descoberta e à produção de instrumentos e insumos essenciais destinados a excelência dos processos agrônomos propicia que as tecnologias sejam importadas. É o caso dos defensivos agrícolas e dos maquinários utilizados na plantação das commodities. Assim, uma crise externa que prejudique a fabricação desses itens promoverá sérios danos à economia nacional, a qual é dependente da exportação desses produtos para a manutenção da balança comercial favorável. Destarte, o Poder Executivo deve agir com o intuito de reverter esse lamentável cenário que prejudica, à longo prazo, a soberania nacional.

Portanto, para que a fuga de cérebros seja interrompida e a ciência prospere, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio de um projeto de lei a ser encaminhado à Camâra dos Deputados, exija que a pesquisa seja reconhecida como trabalho. Tal projeto deverá incluir os pesquisadores na Condição das Leis Trabalhistas (CLT), a fim de que esses profissionais sejam valorizados e tenham segurança frente a instabilidade brasileira. Dessa maneira, a ideia de Zweig poderá se efetivar.