As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 16/01/2023
A Carta Magna afirma que o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento e a pesquisa, mas se sabe que questões políticas e orçamentárias dificultam o eficiente cumprimento desse postulado. Defende-se, assim, que a longo prazo a persistência da fuga de cérebros no Brasil pode comprometer seriamente o desenvolvimento técnico-científico, já que os talentos mais destacados acabam emigrando em busca de melhores oportunidades profissionais e sociais.
Nesse sentido, deve-se lembrar que o sociólogo Pierre Bourdieu destaca o valor do capital cultural, o qual é construído por saberes e conhecimentos cujo reconhecimento advém na forma não só de diplomas, como também de títulos. Consequentemente, nesse processo se constrói o capital econômico como resultado esperado tanto do engenho, quanto da excelência no mundo da ciência e do mercado de trabalho. Logo, em um país que não consegue oferecer qualidade de vida, em itens como segurança e retorno financeiro, multiplicam-se as dificuldades em se cooptar seja talento, seja excelência.
Outrossim, o mercado internacional oferece propostas irrecusáveis àqueles profissionais ou estudantes que alcançam destacados níveis de excelência. Esses gênios, em suas respectivas áreas de atuação, por terem expertise e tino, acabam por atender a um sentimento tipicamente humano de buscar as melhores condições para se expandir como ser humano. Logicamente, para a nação, a perda de cérebros causa tremendos danos à economia, já que profissionais tão qualificados seriam elementos importantes para se alavancar o desenvolvimento de áreas científicas, como engenharia ou medicina. Nesse sentido, de acordo com o levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos em 2022 (CGCE), há hoje aproximadamente 3 mil pesquisadores brasileiros radicados no exterior.
Portanto, urge que o Estado crie meios criativos para cativar esses talentos. Para isso, deve-se criar um programa de bolsas para os notáveis. Ou seja, talentos precoces deveriam receber incentivos para ficarem no país. Com esse fito, esses cérebros assinariam contratos com o Estado, que financiaria seus estudos. Isso seria realizado em uma parceria com a iniciativa privada, por isso haveria lucro para todos, porquanto esses notáveis ficariam no Brasil e fomentariam as ciências.