As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/09/2023
A diáspora judaica, iniciada em 585 antes de Cristo, consis-
tiu no movimento de dispersão forçada dos judeus após sua
terra natal ser invadida. Nesse sentido, é importante anali-
sar as consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil, uma vez que elas são tão relevantes quanto foi a saída dos hebreus de Israel.
Primeiramente, tem-se a falta de discussão acerca do tema
como uma de suas causas. Dessa forma, de acordo com a teoria “Silenciamento dos Discursos”,do sociólogo Karl Marx,
a sociedade evita falar sobre certas questões a fim de omitir
as mazelas sociais. Sob essa ótica, a saída de cientistas do
País em busca de uma melhor valorização, ao ser ignorada pela nação silencia os prejudicados e, com o seu êxodo, o Brasil fica dependente cientificamente do estrangeiro.
Ademais, a inoperância estatal é um fator agravante do problema. Consoante a isso, segundo o filósofo inglês Tho-
mas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem- es-
tar da população. Desse modo, tal teoria é constatada no
contexto brasileiro, haja vista que o Poder Público não for-
nece os recursos necessários para a realização de pesquisas
minuciosas, além de menosprezar o trabalho de cientistas
ao remunerá-los precariamente, o que acarreta na sua saída do Brasil procurando um local de reconhecimento e maior respeito a essa tão necessária profissão, afastando, assim, o
investimento científico externo do país.
Portanto, cabe ao governo, cuja função principal é manter a hegemonia social, por meio do aumento de recursos des-
tinados aos pesquisadores, melhorar as condições traba-
lhistas deles, com o intuito de impedir a fuga de cérebros do Brasil, valorizando-os adequadamente.