As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 23/07/2024

O artigo 218 da Constituição Federal de 1988 assegura que é dever do Estado promover o desenvolvimento científico. Entretanto, é evidente que há empecilhos no que tange o cumprimento de tal política, especialmente diante da persistência da fuga de cérebros no Brasil. Nesse viés, é imprescindível analisar não apenas a ineficiência estatal, mas também as escassas oportunidades de emprego no país.

Primeiramente, é fulcral a presença de um Estado ativo no combate à problemá- tica. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, uma instituição que se desvia de sua função original é assemelhada a um zumbi. Sob esta perspectiva, o governo brasileiro coincide com tal conceito, pois apresenta uma falha quanto a contribui- ção para a permanência de profissionais no país, tendo em vista que há parca ofer- ta de bolsas e auxílios voltados para pesquisas acadêmicas.

Ademais, as escassas oportunidades de emprego em território nacional intensificam o cenário discutido. De acordo com o filósofo brasileiro Eduardo Marinho, a sabotagem do ensino é planejada e consentida. Desse modo, compreende-se que a falta de acolhimento e amparo com os profissionais tem como motivador principal a dificuldade em entrar no mercado de trabalho.

Depreende-se, portanto, que é crucial combater a problemática. Para isso, cabe ao Ministério do Trabalho, por meio do Poder Executivo, gerar empregos e renda no campo científico em apoio aos recém formados brasileiros, com o objetivo de mitigar a saída destes e os impactos no desenvolvimento nacional. Dessa forma, é possível a execução da lei prevista da Constituição Federal.