As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 28/05/2019
Em 1928, o cronista brasileiro Carlos Drummond de Andrade publicou, na revista Antropofagia, o poema “No meio do caminho”. Nele, o autor retrata empecilhos que encontrou em seu percurso, o que evidencia, desse modo, os obstáculos presente na sociedade que impedem o desenvolvimento coletivo. Fora da narrativa, a concepção ganhar forma, visto que a pirataria na sociedade encontra-se intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela negligência governamental, seja pela lenta mudança da mentalidade social.
Segundo Aristóteles em “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. No entanto, esse conceito encontra-se deturpado, à medida que a falta de fiscalização na produção ilegal de cópias dificulta o combate à venda desses produtos. Tal problemática ainda é intensificada pelo desemprego vigente, aliado à ascensão do capitalismo, em que indivíduos que precisam sustentar sua família vem saída no comércio extralegal, que ocorre em diversas cidades do país. Portanto, um investimento por parte do governo é essencial para minimizar os efeitos gerados pela pirataria.
Outrossim, é válido ressaltar que a falta de informação pode interferir na compra de produtos piratas pela população. Sobretudo, isso afeta a parte da população mais vulnerável, que não entende as consequências da falsificação para coletividade. Sob esse viés, o filósofo Auguste Comte afirma que a lei da história da humanidade é o progresso. Desse modo, sem o comprometimento de todas as camadas sociais, o desenvolvimento tende a não ocorrer, e coloca em risco o crescimento dos setores que necessitam vender seus projetos originais.
Por conseguinte, é indubitável que medidas são necessárias para reverter a situação. A princípio, cabe ao Governo criar postos de denúncia online para os que identificarem sinais de falsificação, visando o maior contato entre polícia e a vítima, a fim de tornar mais confortável o ato de denunciar. Paralelamente, cabe às Organizações Não-Governamentais distribuírem cartilhas advertindo sobre as consequências de usar em produtos piratas, objetivando universalizar o uso de produtos originais, assim como sensibilizar a sociedade ajudar a resolver esse problema. Dessa forma será possível que não haja mais pedras no caminho evidenciado por Drummond.