As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 04/07/2019
No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que a pirataria não afeta a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse modo de pensar, é preciso notar o quão ingênuo esse ponto de vista é ao desprezar aspectos sociais, culturais e econômicos.
A reprodução de itens sem o consenso do autor é um exemplo do “jeitinho”. O comércio de pirataria é uma forma de corrupção. A internet garantiu um grande avanço para esse crime. Esses entendimentos sobre os impactos da pirataria, mesmo que simplistas, tendem a ressaltar fatores como a expropriação de produtos autorais. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, negligenciando a perda econômica que a nação sofre ao distribuir gratuitamente mercadorias que arrecadariam milhões de reais. De fato, essa questão tem a capacidade de agredir o presente e violentar o futuro.
Por conta disso, no debate acerca da pirataria, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem os sinos dobram, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos em prol da criticidade cidadã, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que empregos são afetados e o prejuízo se espalha de forma direta e indireta pela sociedade. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.
Sem dúvidas, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra a pirataria está fadada ao insucesso. Assim, faz-se necessário que o Estado, através da parceria entre o Ministério da Educação e mídias sociais, conscientize a população desde a base até o ápice etário, estimulando o desenvolvimento da criticidade para inverter o paradigma atual, além de punir mais firmemente os infratores, por meio da reformulação de leis.