As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 12/09/2019
Com raízes no século XVII, a pirataria surgiu como um modo de furto de embarcações que levassem mercadorias a outros países, causando prejuízo aos comerciantes e compradores da época. Entretanto, atualmente, a definição de pirataria é outra: pessoas comuns se apropriam de obras e materiais criativos para a revenda ou lucro, normalmente relacionados a conteúdos digitais. Mas, apesar de diferentes, esse tipo de pirataria também tem consequências que a maior parte da população não identifica, sendo essa a causa pela qual o ato e consumo desse crime é tão normalizado. Diante dessa perspectiva, é importante propor uma análise mais significativa.
Primeiramente, é essencial apontar os motivos pelos quais a pirataria no Brasil é tão recorrente, já que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 8 em cada 10 brasileiros fazem downloads ilegais relacionados a materiais protegidos por direitos autorais. Sendo assim, é fácil relacionar a busca por esse mercado à falta de recursos econômicos da população destinados à compra de filmes ou discografias. Além disso, ao consumir o produto de tal ilegalidade, o público não vê efeitos nocivos como consequência de seu comportamento, nem se questiona para entender o lastro de crimes que aconteceram para que o conteúdo fosse disseminado.
Ademais, é necessário expor os fatos de que, segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria, 58 mil empregos não foram criados, pois a demanda desse crime sobrepõe a demanda de serviços especializados como a Netflix. Também, milhões de reais não foram arrecadados porque os impostos não foram arrecadados, diminuindo o dinheiro público e a verba necessária para que mais políticas públicas de lazer fossem criadas. Porém, dados tão importantes como esses não são amplamente divulgados, criando uma falsa sensação de passividade ao colaborar com os esquemas da pirataria, e continuamente um ciclo em que cada vez mais pessoas se tornam cúmplices.
Diante desse cenário, é preciso que medidas sejam tomadas para que os consumidores da pirataria tenham ciência das consequências de seus atos para que não mais seja uma problemática da sociedade atual. É dever das grandes mídias como jornais e programas televisivos divulguem mais dados sobre o assunto, de modo que mais indivíduos tenham conhecimento sobre o impacto causado pelo consumo de tal mercadoria. Sobretudo, empresas como a Netflix e Spotify podem financiar e construir campanhas de desincentivo ao uso da pirataria, já que o ato afeta diretamente essas empresas. Assim, a mazela será discutida com a relevância que necessita e atenuada de forma democrática.