As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 28/10/2019

A partir da necessidade de se produzir em larga escala, a 1ª Revolução Industrial deu início ao processo que viria, posteriormente, a socializar o acesso aos produtos que antes eram usufruídos somente pela burguesia. Todavia, esse processo de massificação impulsionou um dos maiores gargalos éticos da sociedade hodierna: a pirataria. Urge, portanto, a necessidade de se compreender suas consequências no âmbito cultural e econômico, visando reduzir seus impactos negativos.

Diante disso, vale ressaltar a forma crônica da qual o artista e a arte vêm perdendo reconhecimento devido à reprodução não autorizada. Isso ocorre porque, assim como abordado por Walter Benjamin, a reprodutibilidade técnica é a principal forma de se alcançar as camadas sociais mais baixas, por mais que se custe a perda da autenticidade autoral. Dessa forma, a pirataria contribui para a manutenção da desigualdade social no Brasil, que enfrenta um ciclo vicioso no qual a pirataria se faz cada vez mais comum e o artista, desvalorizado.

Ademais, vale ressaltar que a banalização dessa prática apenas potencializa o conflito ético existente na economia local. Uma vez que o Gini brasileiro, índice que mede a desigualdade, é alto, a população encontra-se em vias de dúvida entre comprar o produto mais caro e contrair dívidas, ou adquirir produtos de qualidade duvidosa. Nesse contexto, a maioria dos brasileiros opta pela conveniência, já que, segundo dados do FNCP (2016), a pirataria desvia do governo 721 milhões por ano.

Em virtude disso, é notório a necessidade de medidas conjuntas que visem reduzir tamanho déficit causado pela pirataria. Às Secretarias de Cultura, é cabível oferecer suporte aos artistas locais por meio de eventos municipais, assim promovendo maior proximidade entre a realidade do produtor e do comprador, visando a conscientização. É necessário também, com apoio do Ministério da Economia, regular as taxações de empresas, para que dessa forma os produtos não sejam custosos ao ponto do brasileiro recorrer às práticas herdadas das revoluções industriais.