As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 30/04/2020
Em uma entrevista no Canal Futura, o sociólogo Alexandre Gouvêa trata da naturalização da pirataria na sociedade contemporânea, com o Brasil em foco. Segundo o G1, somente no que se refere aos filmes e seriados, de 2015 a 2016, o acesso a sites pirateados foi oito vezes maior do que a sites legais, revelando o avanço da irregularidade e da falta do senso de ética para com o indivíduo e seu trabalho. A pirataria danifica a economia do país e afeta, de igual modo, a criação de empregos lícitos para os cidadãos, além de revelar a necessidade do consumo que está implantada na sociedade.
Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que a prática em questão, além de ser considerada crime pelo Código Penal, causa danos em demasia à administração e economia do país. De acordo com o G1 e o levantamento do Fórum Nacional Contra Pirataria e Ilegalidade, 130 bilhões de reais são perdidos por ano pela prática da pirataria, do contrabando e do comércio ilegal. Além disso, o site de notícias Envolverde Jornalismo revela que a criação de um milhão de empregos é impedida pelos mesmos mecanismos. Posto isso, torna-se explícito o grau dos prejuízos causados pela ilegalidade em questão, haja vista que o país como um todo é afetado direta e/ou indiretamente.
Ademais, o avanço do consumo de produtos piratas, tal como o acesso a sites ilegais de entretenimento, revelam e ao mesmo tempo geram a necessidade, mesmo que inconsciente, da aquisição de mercadorias como meio de inserção na sociedade. Portanto, o homem busca algo para sentir-se parte do coletivo, ao mesmo tempo que perpetua tal comportamento, criando, como consequência, um ciclo vicioso doentio. O sociólogo Alexandre Gouvêa, por sua vez, realizou pesquisas a respeito da temática, com o fechamento de que, para encontrar-se nos grupos, o indivíduo faz uso de determinado meio, mesmo que este esteja fora da legalidade, já que tanto quem produz, quanto quem consome o produto pirateado, tornaram-se figuras comuns, naturalizando uma prática criminosa.
Destarte, para que as consequências da pirataria sejam amenizadas, a curto prazo, o Ministério Judiciário deve desenvolver um projeto visando fiscalizações mais regulares e rígidas nos locais por onde mercadorias de contrabando chegam, por meio da convocação de policiais capacitados para tal função. Os mesmos profissionais devem fiscalizar locais nos quais, constantemente, a pirataria é praticada em massa. Além disso, especialistas em publicidade e propaganda devem ser convidados a criarem uma campanha que informe o cidadão brasileiro sobre os danos que o uso de sites e a compra de produtos ilegais causam a sociedade. Desse modo, os efeitos prejudiciais da pirataria serão amenizados na sociedade e no país como um todo, que se tornará um exemplo.