As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 09/07/2020

De acordo com o filósofo Zigmunt Bauman, em sociedade de consumo, as grandes ideologias, alicerces e instituições quando se tornam instáveis, o consumo se torna o elemento central na formação da identidade. Ou seja, com o início da globalização, a sociedade passou a ter mais contato com outras culturas, estimulando uma aquisição irracional e demasiada de bens materiais, consequentemente, gerando problemas sociológicos, um deles a pirataria. O consumo e a venda de mercadorias ilegais é crime passível de multa e até reclusão, todavia, os efeitos na sociedade podem atingir os direitos civis, como o aumento da criminalidade nas ruas, assim como, prejuízos para os setores públicos básicos.

Em primeira análise, a Interpol classifica a pirataria como o crime do século, pois movimenta mais de 500 bilhões de dólares em mercadorias falsificadas internacionalmente. Esse dinheiro é utilizado para movimentar uma rede de crimes, que envolve a criação de máfias, com suas fábricas de produção, transporte e repasse das mercadorias plagiadas para os receptores finais. Somado a isso, surgem as entrelinhas, o tráfico de drogas e armas, que utilizam esse meio para trafegar seus artefatos, e assim tentar ludibriar as autoridades responsáveis pela fiscalização. Essa dinâmica quando acontece na camada marginalizada da sociedade, pode facilitar o contrabando, subemprego e trabalho escravo.

Outro importante aspecto, relaciona-se aos prejuízos dessa prática criminosa aos setores públicos, como educação, saúde e mobilidade urbana. Segundo, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, o combate à comercialização de produtos falsificados é fundamental não apenas para proteger o consumidor, mas também à economia. Ressalta-se que, a grande maioria da sociedade desconhece os efeitos colaterais na economia, quando adquire materiais pirateados, isto é, à medida que compras são feitas na ilegalidade, mais impostos deixam de ser arrecadados e investidos devidamente. Isso significa dizer que, mais professores e centros educacionais serão afetados; hospitais, UPA’s, médicos e pacientes deixarão de ter e receber condições ideais de atendimento, além disso, mais estradas  e ruas deixarão de ser pavimentadas e deixarão de ser acessíveis para aqueles que realmente precisam.

Portanto, os distúrbios causados pela falsificação de mercadorias deveriam ser da responsabilidade de todos, enquanto serem racionais que vivem em sociedade. Para mais, é imperativo intensificar a fiscalização nas fronteiras e portos, para maior aplicabilidade da lei, por parte da polícia federal e do governo, de modo que a lei deixe de ser banalizada e passe a ser respeitada. Assim como, também é necessário unir segmentos da indústria junto à mídia, à população e ao poder público a fim de desenvolver uma mensagem dentro da ética e da conscientização, para uma compreensão totalizada  dos efeitos da pirataria, da valorização do trabalho e da importância na defesa do mercado legal.