As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 10/07/2020
A Revolução Industrial implantou uma nova concepção de mundo em que o capitalismo e a busca desenfreada pelo lucro são uma de suas principais características. Com isso, a pirataria ganha cada vez mais espaço na sociedade brasileira, uma vez que é um modo mais fácil de se obter lucro, porém estimula o crescimento do comércio ilegal e ainda favorece na passividade da população frente ao problema.
Segundo a filósofa Márcia Tiburi, na sociedade brasileira acontece a “banalização do mal”, ou seja, o mal é visto como algo natural, assim a prática de pirataria no meio social se tornou algo que as pessoas já banalizaram. Dessa forma, o problema em questão é tido como “normal” e isso faz com que o comércio ilegal cresça, uma vez que é um meio no qual se tem um maior lucro e de um modo mais fácil, fato esse que contribui para a visão de mundo brasileira, na qual o jeitinho brasileiro, que é o ato de tirar vantagem em tudo, é a principal marca, o que sustenta uma “moral de rebanho”, de acordo com o filósofo alemão Nietzch, que é quando uma ideia prevalece e os outros apenas seguem, de que a pirataria é vista como algo que legal e que da uma falsa impressão de igualdade social, já que os produtos pirateados possuem o preço mais acessível.
Além disso, conforme o educador Paulo Freire, a educação brasileira é tida como “bancária”, que é a pedagogia da passividade e da repetição, esse tipo de ensino favorece na falta de criticidade da população frente ao crescimento da pirataria no Brasil, pois as pessoas não enxergam o problema como algo que não só estimula a criminalidade como também uma questão social,uma vez que promove uma concorrência desleal com as marcas originais do produto como também estimula o cliente a uma prática criminosa, pois fornece a utilização do produto sem pagar nenhum direito autoral ao verdadeiro criador. Outrossim, a prática da pirataria no Brasil já está tão enraizada que a população interiorizou aquilo que era exterior a ela, o que contribui para a “teoria do habitus” do filósofo Bordieu, que é quando de tanto algo acontecer se torna natural, e assim fica ainda mais difícil mudar a realidade.
Faz-se necessário, portanto, o investimento por parte das instituições de ensino em uma educação que vise formar pessoas mais críticas, por intermédio de palestras com especialistas no assunto que mostrem os malefícios e as consequências que a prática da pirataria trazem para a sociedade, a fim de que a passividade da população não seja mais uma realidade brasileira no enfrentar do problema, e ainda a ajuda do poder legislativo junto com a população na elaboração de leis com punições mais rígidas, por meio de prisões sem direito a financiamento e projetos voluntários, para que o assunto tratado não favoreça no crescimento do comércio ilegal e forneça uma nova “moral de rebanho”.