As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 10/07/2020
Em filmes como Piratas do Caribe, a vida dos bandidos dos mares é idealizada e repleta de aventuras e momentos divertidos. Entretanto, essa representação cinematográfica não condiz com a realidade da pirataria, cuja principal característica é a comercialização ilegal de mercadorias que, no Brasil contemporâneo, causa prejuízos econômicos e danos à saúde da população.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o comércio ilegal de produtos afeta negativamente a economia do país. Isso acontece porque as transações desse tipo de mercadoria não contribuem para a arrecadação de impostos, recursos fundamentais para que o Estado possa oferecer bons serviços de educação, saúde, segurança, assistência social e lazer, por exemplo. Prova disso são os dados divulgados pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCPI), de acordo com o qual, em 2019, cerca de 300 bilhões de reais deixaram de ser arrecadados em forma de tributos pelos cofres públicos devido a esse tipo de crime. Dessa forma, percebe-se a dimensão do impacto causado pela pirataria à economia nacional.
Além do impacto econômico, a comercialização ilícita de mercadorias também causa prejuízos à saúde da população, pois muitos produtos são adulterados e não são submetidos a testes de qualidade. Isso é preocupante sobretudo em países de baixa e média renda, como o Brasil, nos quais, segundo a OMS, estima-se que 1 em cada 10 medicamentos seja falsificado. Assim, é possível notar que a pirataria representa um perigo real para a saúde pública no país.
Portanto, levando-se em consideração as consequências socioeconômicas do comércio ilegal de produtos no Brasil, o Ministério da Economia deve redistribuir os impostos cobrados sobre os diversos setores da sociedade com o objetivo de diminuir as taxas incidentes nos produtos originais, tornando-os mais acessíveis à população e reduzindo a procura pelas mercadorias piratas. Ademais, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve criar uma campanha nacional de conscientização sobre os prejuízos socioeconômicos inerentes ao consumo de produtos ilegais. Essa campanha deve ser veiculada nos principais meios de comunicação e deve ser apresentada de maneira didática para que toda a população entenda a mensagem transmitida. Dessa maneira, será possível reconhecer a pirataria, não como uma aventura cinematográfica, mas como um crime com repercussões sociais graves.