As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 09/07/2020

Segundo a neurocientista e neuropedagoga Adriana Fóz, a arte é uma das fontes do que ela chama de “plasticidade emocional”, a qual nada mais é do que estímulos no circuito cerebral, os quais nos permitem ser capazes de mudar e realizar novos feitos. Um dos modos de aprimorar essa plasticidade é usufruindo de recursos que nos dão prazer, como os filmes e livros. O problema, porém, acontece quando essas narrativas são concebidas pela pirataria, e embora pareça inofensiva, é nela que residem consequências danosas não só para o setor econômico, mas também para o desenvolvimento moral, ético e educacional da sociedade.

Em um episódio do seriado americano “Todo mundo odeia o Chris”, o protagonista simplesmente falta aula para ir ao cinema acompanhado do seu melhor amigo Greg. Paralelamente, atos errôneos, a exemplo da evasão escolar dos garotos apenas para assistir ao filme, são tênues perto dos reais problemas causados pela pirataria no Brasil. Enquanto que para os jovens é perdido o conteúdo ministrado na escola, com direito a ausência na chamada regular, adultos passam a ter seu trabalho em risco de ser perdido, ou até mesmo de ficarem desempregados, em consequência da desvalorização e do prejuízo financeiro das indústrias cinematográficas, livrarias e outras empresas que têm seus produtos copiados e comercializados sem qualquer consentimento de quem os produziu.

Além da questão econômica, outro óbice a ser vencido é o aspecto moral de grande parte da população a qual é conivente a tamanho desserviço, seja ofertando ou adquirindo aquilo que é de caráter ilegal. Nacionalmente conhecido, o site megafilmeshd.net que tinha um acervo gigante com mais de 150 mil filmes, séries de TV, documentários e shows, foi retirado do ar e teve seus principais responsáveis multados e presos por crimes como o de violação de direitos autorais e constituição de formação criminosa. Conjunturas como essa, provam que o desenvolvimento moral e a ético da sociedade estão abalados, pois casos assim continuam acontecendo em razão de ter quem consuma desse mercado, o qual cada vez mais compromete o caráter de seus participantes.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que o fim da pirataria aconteça. Cabe à sociedade denunciar produtos ilegais a PF, cuja responsabilidade em continuar a realizar investigações e prisões precisa ser mantida, tornando evidente que o crime de pirataria não será tolerado. Outrossim a Secretaria da Cultura em parceria com o MEC, visando garantir o lazer, deve promover festivais de cinema, documentários e afins a baixo custo -com a exceção da gratuidade para camadas mais desfavoráveis. Ademais, urge que a mídia realize campanhas, novelas e seriados educacionais em horário nobre, explicando a importância de sermos todos contra esta mazela cultural.