As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 04/07/2020
O filme “Grandes olhos” aborda questões acerca da pirataria no século XX, a exemplo do plágio de pinturas de pequenos artistas a fim de reproduzi-las em massa. Diante disso, nota-se que a pirataria não se restringe à atualidade, porém, com a popularização da internet e com a globalização, esse crime se tornou comum. Assim, vale pontuar a desvalorização do trabalho e o financiamento do crime como consequências sociais da pirataria.
De início, o primeiro impacto da pirataria, que recai, principalmente, sobre pequenos artistas e afins, é o não reconhecimento do valor simbólico e financeiro nas produções. Isso porque a comercialização sem o respeito aos direitos autorais não permite que o produtor usufrua do seu próprio trabalho. Esse processo configura a desvalorização das horas e custos aplicados na construção de desenhos, filmes, e textos, expropriando o direito à remuneração e ao reconhecimento. O crime da pirataria se exacerba no meio virtual, de acordo com isso, o escritor Heitor Cony compara a internet a uma “terra de ninguém”, pois nela o plágio e a massificação ocorrem muito facilmente e é mais complexo percebe-los. Portanto, isso demanda maior atenção no consumo de conteúdo online e políticas de combate à pirataria mais eficazes para que os pequenos produtores não tenham seus trabalhos desvalorizados.
Em segundo lugar, outra consequência da pirataria é o financiamento do crime pela população. Entretanto, essa problemática é, muitas vezes, excluída da consciência social, já que a prática está profundamente arraigada no comércio brasileiro. Em consonância com isso, pode-se aplicar a ideia de “banalização do mal”, de Hannah Arendt, no financiamento da pirataria, uma vez que a população não relaciona a compra de produtos falsificados ao estímulo de atividades ilegais, alimentando o ciclo de normalização do crime. Essa lacuna de consciência decorre da não percepção do trabalho escravo, sub-remuneração e irregularidade fiscais como muito provavelmente presentes na produção de artigos piratas, o que impede a população de assumir sua responsabilidade social no combate à pirataria. Logo, uma maior conscientização se faz necessária a fim de minimizar a banalização desse crime.
Em suma, diante das consequências da pirataria, é necessário que as plataformas onlines, como Instagram e Facebook, criem políticas que fomentem os direitos autorais por meio da maior proteção de contas comerciais com a marcação automática das páginas no compartilhamento pelos usuários, notificação de printis e alertas sobre os direitos autorais, a fim de que os pequenos produtores sejam reconhecidos por seu trabalho. Atrelado a isso, ONGs devem conscientizar a população por intermédio de debates e panfletagem em empresas, escolas e lojas, que irão mostrar os perigos da pirataria e oferecer alternativas como o consumo de produtos locais, objetivando desnaturalizar esse crime.