As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 06/07/2020
Na sequência de filmes “Piratas do Caribe”, o capitão Jack Sparrow utiliza a pirataria como pretexto para atingir justiça. Fora dos tablados da ficção, a realidade demonstra que, apesar da abrangência adquirida pelo termo na contemporaneidade, tal prática permanece preocupando diversos países. Assim, no Brasil, a elevada adesão da população aos produtos pirateados fomenta discussões acerca de seus malefícios, sendo os principais o risco à saúde e a baixa durabilidade dos produtos.
A princípio, observa-se que a ameaça à saúde atrelada à pirataria se deve ao uso de cosméticos falsificados. Quanto a isso, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que os indivíduos buscam meios de serem aceitos por outrem. Nesse contexto, os produtos de beleza figuram como uma forma barata de adquirir tal aceitação. Dessa forma, a popularidade dessas mercadorias faz com que elas estejam entre os dez produtos falsos mais consumidos no país, segundo a Federação do Comércio. Assim, ao comprá-los, milhares de brasileiros utilizam materiais sem aprovação pelos órgãos de saúde, sujeitando-se a problemas como irritações e inflamações na pele, por exemplo.
Outrossim, a baixa durabilidade das mercadorias ilegais contribui para a problemática. Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), a taxa de contrabandeados que entram no Brasil cresceu 40% em relação ao ano de 2017. Esse aumento pode ser associado, em parte, ao reduzido tempo de validade desses produtos, o que mantém a demanda alta e intensifica sua entrada no país - facilitada pela frágil fiscalização no portos brasileiros. Tal realidade é potencialmente perigosa, pois aumenta o volume de materiais descartados na natureza, contribuindo para a poluição das cidades quando depositados em locais inapropriados.
Depreende-se, portanto, que os malefícios da pirataria para a sociedade são latentes. Para minimizá-los, as esferas estaduais e municipais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária devem intensificar a fiscalização do comércio de cosméticos. Isso pode ser realizado mediante a organização de mutirões em estabelecimentos situados em locais nos quais essa comercialização é mais acentuada, como as feiras livres e nas periferias. Além disso, cabe ao Governo Federal aumentar a fiscalização de portos e aeroportos do país a fim de reduzir a entrada de produtos ilegais. Tal medida pode ser realizada a partir da criação de um aplicativo que facilite a troca de informações entre as polícias federais dos diversos estados brasileiros. Espera-se, assim, que a adesão da sociedade à pirataria seja restrita aos personagens dos filmes de ação.