As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 11/08/2020
A partir de 1990, a ascensão do neoliberalismo fortaleceu ainda mais as estruturas do capitalismo, promovendo maior ganho de lucro para os empresários. Ao passo que essa minoria conquistava poder e capital, grande parte da população obtinha prejuízos decorrentes da diminuição de salários e da falta de oportunidade de trabalho. À vista disso, o consumo da pirataria foi se tornando uma prática de sobrevivência e saciação individual. Contudo, essa realidade traz consequências para a sociedade porque propicia menor investimento nos setores públicos e o aumento de empregos informais.
Em primeira análise, a prática crescente da pirataria é um fator para que ocorra menor investimento nos setores públicos. Segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade, as perdas dos governos federal, estadual e municipal geradas pela sonegação fiscal representam bilhões ao ano. Em decorrência disso, o governo deixa de arrecadar impostos, dinheiro este que poderia ser revertido em educação, saúde e mobilidade urbana. Embora os veículos midiáticos sinalizem a população acerca do prejuízo promovido por essa prática ilegal, as pessoas não deixam de consumir tais produtos, corroborando para que a falta de financiamento se agrave.
Além disso, o consumo da pirataria facilita o aumento da presença de empregos informais na sociedade. Tal afirmação pode ser exemplificada com o crescente número de camelôs não legalizados na cidade do Rio de Janeiro, devido ao acirramento da crise econômica no Brasil. Com isso, muitas famílias cariocas optam pela venda de produtos ilegais para que consigam arrecadar recursos básicos e alimentos para o seu sustento. Conquanto o Poder Público tenha consciência do crescimento do subemprego no país, políticas públicas não são desenvolvidas para fornecer trabalho digno para a população, consolidando, portanto, as consequências trazidas pela ilegalidade.
Dessa forma, é imprescindível que medidas para reverter as consequências promovidas pela pirataria sejam fornecidas. Para isso, cabe ao Ministério da Educação alertar a população desde o ensino primário sobre as consequências econômicas e sociais geradas pela ilegalidade, por meio de debates e palestras, para que as pessoas deixem de comprar produtos piratas. Assim, o Poder Público obterá maior arrecadação de impostos, revertendo o dinheiro em investimentos nos setores públicos. Ademais, cabe ao Estado disponibilizar mais empregos para a população, por intermédio de acordos com empresas públicas ou privadas, para que menos famílias recorram ao trabalho informal para conseguirem sobreviver. Consequentemente, menos pessoas passarão a vender objetos ilegais, reduzindo também seu consumo.