As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 01/01/2021
O advento da internet, marcada pela profusão de ideias, evidenciou um problema antigo, cujo marco, no Brasil, se deu pela falsificação de jogos do “Playstation 2”, o console de videogames mais vendido do país. Indubitavelmente, a pirataria é um sério problema. Afinal, a ação é prejudicial à economia e, acima de tudo, caracateriza-se pela imoralidade.
Inicialmente, a pirataria é prejudicial à economia. Em outras palavras, estimativas do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) sugerem que quase trezentos bilhões são perdidos pelo país em impostos não arrecadados sob a prática criminosa. Em contexto, além de tal montante representar algo próximo à previsão orçamentária de investimentos em saúde e educação pelo Estado em 2020, o redirecionamento de tal procura ao comércio legal garantiria mais empregos. Evidentemente, um país repleto de ambulantes, cuja insignificância econômica, em uma indústria fora da lei comandada por grandes traficantes, iria assegurar-lhes, na formalidade, um salário, ao menos, fixo, torna o problema ainda mais relevante. Portanto, a atração gerada pela barateza de produtos falsificados esconde, ao contrário, um prejuízo enorme ao próprio consumidor.
Em segundo plano, a violação da propriedade intelectual perpetrada pela ação inconstitucional representa um risco moral à sociedade. Nesse sentido, em uma sociedade capitalista, o conhecimento é mercadoria, sustento, visto que a grande massa de produtores não se compara a estudiosos, como Sir Isaac Newton, cuja riqueza lhe permitia investigar de forma descomprometida. Logo, primeiramente, a quebra de tal princípio, por meio da ilegalidade abordada, desestimula a produção do saber, na medida em que escritores são privados de dedicação exclusiva a suas reflexões, na busca de fonte de renda alternativa. Finalmente, o mesmo rompimento fere direitos inalienáveis, tais como a condição humana da posse de tudo que do indivíduo advêm- não a expressão ou a vida, mas, nesse caso, a racionalidade.
Em suma, a pirataria traz prejuízos econômicos e morais. Urgentemente, o Ministério da Economia deve, por meio da grande mídia tradicional, elaborar campanhas de conscientização dos consumidores quanto aos malefícios da conduta, como a produção de vídeos de impacto que tragam os números do prejuízo discutido, para que a sociedade dê fim ao lucro imoral. Só assim, o barato não sairá caro.