As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 23/11/2020
A série “Todo Mundo odeia o Chris”, do produtor de televisão Andrew Orenstein, retrata a relação entre o indivíduo e a pirataria. Nela o personagem “Perigo” vendia diversos artigos falsificados que, em demasia, acarretavam prejuízos ao consumidor. Paralelo à ficção, a pirataria, no cenário brasileiro, por mais que se caracterize como crime, também, é comumente encontrada. Isso pois, inúmeras vezes, são os produtos inautênticos que geram no indivíduo um pertencimento social. Dessa forma, fica evidente que a ação ilegal está interligada a conduta do consumidor.
À vista disso, o comportamento do indivíduo favorece a mazela. A esse respeito, o Filósofo Sócrates apregoa que o sujeito ético é aquele que sabe o que faz, conhece as causas e os fins de suas ações. Tal conceito, relaciona-se com a atitude do indivíduo ao banalizar o crime, visto que ele não considera os itens similares como prejudiciais, portanto sua ética não é afetada e sua conduta de utilizá-los permanece. De fato, devido a escassez de visibilidade, o meio social não reconhece as consequências do seu consumo ilegítimo: desemprego, queda do investimento estrangeiro, entre outros.
Nessa perspectiva, oriundo do desejo de pertencer, o índice de falsificações aumenta de forma exponencial. Nesse viés, com o contínuo desenvolvimento do mercado, muitos objetos que visam classes mais abastadas são alvos da pirataria. Isso ocorre porque são as réplicas que garantem o símbolo de status e beleza procurado pelos indivíduos que não possuem condições ou interesse na compra do original. Exemplo claro dessa realidade são os dados divulgados pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade- só em 2018, o Brasil registrou perdas de 193 bilhões para o mercado iegal. Logo, é evidente que a má conduta afeta a economia do país e o seu possível desenvolvimento.
Impende, pois, a necessidade de alternativas para coibir tal crime. Em razão disso, o Ministério da Educação, como responsável no gerir educação de qualidade, deve, em parceria com as instituições de ensino, sensibilizar os indivíduos sobre a pirataria, por meio da inclusão na grade curricular de uma educação voltada ao consumo, com o fito de garantir o desenvolvimento de um consumidor responsável. Ademais, o Ministério da Justiça deve alavancar a rigidez na lei contra a pirataria, através da alteração dos requisitos para sua aplicação- como modificar a duração da pena e responsabilizar o consumidor quando esse cometer o delito-, de modo a inibir tal conduta criminosa, como a representada pela série “Todo Mundo odeia o Chris”.