As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 21/05/2021

“A gente não quer só comida; A gente quer comida, diversão e arte” é um verso da canção “Comida”, de  autoria da banda brasileira Titãs, a qual expressa que a subsistência não é o suficiente para suprir a necessidade de entretenimento e socialização do ser humano. Nesse sentido, o Brasil, um país em que o acesso à diversão e arte é dificultado, um dos meios - infelizmente, criminoso - que a população recorre para o acesso ao divertimento é a pirataria. Dessa forma, é necessário analisar os efeitos desse fenômeno, como a banalização do crime e o impacto causado à propriedade da classe artística.

É necessário pontuar, a princípio, que a pirataria se tornou uma prática que não é vista como grave, ou, até mesmo, criminosa na perspectiva da população, uma vez que essa ação é, principalmente para as classes mais baixas da sociedade, uma das únicas formas que acesso à cultura e lazer. Infelizmente, isso se dá por um processo de elitização da arte, percebida pelos altos preços dos cinemas, teatros e museus, por exemplo, que, como uma forma de reação à falta de democratização ao divertimento, a pirataria se consolida, por conta da facilidade de compra e dos baixos preços. Dessa forma, é possível afirmar que a visão amena da população acerca da pirataria é uma consolidação da teoria do “Habitus”, postulada por Pierre Bourdieu, a qual afirma que o indivíduo assimila as ideias já presentes na sociedade, nesse caso, a banalização do crime da pirataria.

Outrossim, é factual que tal prática criminosa prejudica a propriedade econômica, intelectual e artística de cineastas, atores e produtores, por exemplo, haja vista que a pirataria desvia o público consumidor do produto original desses artistas para produtos falsificados. Isso porque, a partir do momento que a população começa a consumir as falsificações, ocorre o desincentivo da classe artística para a produção de novas obras cinematográficas, já que a rentabilidade, o reconhecimento e a apreciação destas começam a ser desvalorizados. Logo, é perceptível que a pirataria é uma das formas de manifestação da Indústria Cultura, teoria proposta pelos filósofos Adorno e Horkheimer, pois essa indústria não se importa com a qualidade das obras e a significância delas, somente com o lucro.

À luz dessas considerações, é difícil negar a existência de diversos pontos negativos que a pirataria traz consigo para a sociedade. Portanto, urge que a Secretaria Especial da Cultura, órgão que pertence ao Ministério do Turismo, diminua a incidência dessa ação criminosa, por meio de reformulações no cenário cinematográfico brasileiro, a partir de ações de incentivo fiscal, diminuição de impostos e financiamento para a abertura de cinemas e locadoras, a fim de que a população brasileira não recorra mais ao consumo de pirataria por ter a possibilidade do acesso à cultura de modo facilitado e. Assim, será possível distribuir comida, diversão e arte à população, assim como a banda Titãs clamou.