As consequências da pirataria para a sociedade
Enviada em 23/05/2021
No filme “No pique de Nova York”, são retratados os efeitos nocivos do comércio ilegal de mercadorias falsificadas. Fora da ficção, é fato que realidade apresentada, relacionada à violação da propriedade intelectual, também está presente no Brasil e propicia impactos negativos. Nesse sentido, a problemática supracitada ocorre devido à facilidade encontrada na reprodutibilidade e ocasiona a banalização dessa infração pela sociedade.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a velocidade informacional e a acentuada busca por conteúdos dificultam a proteção dos recursos autorais. A esse respeito, segundo o filósofo Walter Benjamin, a elevação da pirataria resulta das inovações nas técnicas de reprodução e da massificação cultural. Sob esse viés, a oferta de produtos copiados aumenta conforme a tecnologia evolui e o cuidado com a inspeção diminui, uma vez que a carência verificativa contribui para o aperfeiçoamento de esquemas de distribuição ilícita de conteúdo, tanto eletrônicos quanto físicos. Sendo assim, constata-se que essas violações tornam-se cada vez mais simples e impunes.
Por conseguinte, as transgressões referentes aos domínios intelectuais encontram-se trivializadas pelos cidadãos. Nesse contexto, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a cegueira moral é descrita como fruto da insensibilidade humana durante a liquidez moderna. De modo paralelo, a utilização ilegal de produções artísticas transformou-se em uma ação habitual, visto que a frequência relativiza a conduta ética dos indivíduos em face desse crime, o que impossibilita a sensibilização social com os detentores das obras originais, os quais sofrem com a perda financeira e emocional. Dessarte, fica evidente o caráter nocivo da normalização de uma atitude que deveria ser considerada inaceitável pela população.
Portanto, caminhos são necessários para solucionar o impasse. Diante disso, com a finalidade de atenuar a pirataria no Brasil, urge que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da contratação de funcionários especializados e da atualização de sistemas operacionais, aumente a fiscalização em relação aos delitos direcionados à propriedade autoral. Ademais, o mesmo órgão governamental, em parceria com grandes veículos midiáticos, deve realizar campanhas que eduquem os cidadãos sobre a magnitude desses atos ilícitos, mediante comerciais televisivos, publicações nas redes sociais e eventos escolares, a fim de evitar a banalização das infrações em foco. Dessa maneira, será possível evitar o cenário abordado no longa-metragem “No pique de Nova York”.