As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 14/07/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à questão da persistência da pirataria. De acordo com os dados da MUSO (consultoria britânica que rastreia o desenvolvimento da pirataria na web), o Brasil é o quarto país que mais consome produtos ilegais no mundo. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a carência de debate.

Primeiramente, é preciso salientar que a insuficiência legislativa é uma causa latente do problema. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia do direito autoral, visto que as produções, as vendas e as distribuições de mercadorias falsificadas se tornaram práticas “comuns” para os brasileiros. Diante disso, nota-se que essa problemática leva à perdas financeiras aos produtores das peças originais. Assim, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de debate. Desse modo, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Diante dessa perspectiva, para que o consumo de pirataria diminua, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, uma vez que há pouca discussão sobre as consequências negativas da pirataria tanto para o país quanto para o consumidor. Dessa forma, o cidadão brasileiro precisa ser consciente de que os produtos pirateados contribuem para a ineficiência do estado na arrecadação dos impostos, além de não oferecerem garantia, nem qualidade alguma para os consumidores.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre as consequências da pirataria para os setores da sociedade, bem como orientem os jovens para o consumo consciente no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos convidados especialistas no assunto. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.