As consequências da pressão exercida sobre os jovens
Enviada em 16/05/2022
Utopia é um substantivo feminino que descreve a ótica ideal das coisas. Dessa forma, caracteriza um estágio permeado de qualidades e carente de defeitos, uma espécie de fantasia inalcançável. Com efeito, no que tange a pressão externa exercida sobre os jovens, são ditados padrões utópicos de sucesso, corpo e vida pessoais, que, quando não atingidos, geram graves consequências, tais como: ansiedade, depressão e baixa autoestima. Isso, na conjuntura atual, decorre não só da coerção familiar, mas também por parte da sociedade.
Nessa linha de raciocínio, a pressão familiar sobre os jovens é um entrave que precisa ser superado. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. De fato, os pais sempre desejam o melhor para seus filhos, seja um “futuro brilhante” ou até mesmo um relacionamento social “perfeito”. Com essa intenção, o seio familiar desenvolve uma postura agressiva: privam de lazeres, ditam as carreiras profissionais futuras e escolhem até as pessoas que participam da vida desse jovem. Assim, quando não atingem tais expectativas, os jovens se sentem insuficientes, frustrados e ansiosos.
Além disso, a sociedade é uma importante catalisadora desse problema. Conforme o livro “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, o corpo social atual se baseia relações fracas em um mundo de aparências. Dessa maneira, a subjetividade da felicidade e do sucesso são corrompidos por vidas luxuosas e ideais utópicos impostos às pessoas de modo geral, mas, em especial, os jovens. Sendo assim, esse grupo se esvaziam de si para viver em função das expectativas idealizadas pela sociedade, e, quando não se encontram ou fracassam nesse processo, caem em um ciclo tóxico de cobrança, baixa autoestima e depressão.
Portanto, é preciso que esse ciclo seja quebrado. Para isso, é dever da mídia alertar a sociedade dos perigos da cobrança excessiva sobre os jovens, através de anúncios televisivos e na internet a respeito das graves consequências dessa prática, com entrevista e relatos de pessoas que sofrem diariamente com isso e dados estatísticos a respeito de baixa autoestima, ansiedade e depressão, de modo a desconstruir ideiais de vida utópicos e mitigar essa problemática.