As consequências da pressão exercida sobre os jovens

Enviada em 19/05/2022

Em abril de 2018, na Coréia do Sul, uma pesquisa feita pelo jornal Chongyan See revelou que cerca de 77% dos estudantes do país dormiam menos de 5 horas médias por dia. Essa notícia demonstra uma tendência global causada pelo atual sistema de ensino, aonde os alunos, buscando sucesso profissional pela influência social, sacrificam a saúde e o bem-estar em troca de bons resultados. Dito isso, demonstra-se mister entender os males e causas dessa prática, assim como promover alternativas sustentáveis para aqueles que buscam o futuro dos sonhos.

Inicialmente, é interessante entender as perspectivas humanas que levam ao desequilíbrio nessa busca pela realização profissional. Isso se torna claro analisando a sociedade moderna e sua busca crescente pelo progresso e esforço, ideais esses herdados das origens capitalistas que promovem um senso de meritocracia inorgânico e contraditório na contemporaneidade, criando esse motor muitas vezes invisível de pressão e necessidade. Muitas vezes, o supracitado se torna exagerado e não condiz com a realidade fisiológica e psicológica do indivíduo, ideia explorada na obra “Por que dormimos?” do neurocientista Matthew Walker.

Assim, é possível utilizar alguns conceitos explorados na obra supracitada, como incluir a alimentação saudável, a prática de exercícios físicos e, fundamentalmente, o sono e o descanço como pilares para o aprendizado, o que pode parecer contraditório, porém se mostra mais do que eficaz de um ponto de vista estatístico. Essa condição é corroborada pelo ensaio do cientista George Lane publicado na revista Nature de maio de 2021, indicando que as memórias são fortalecidas no córtex com cerca de 7 vezes mais eficácia quando as 8 horas de sono são completas e de qualidade.

Considerando isso, é evidente que uma mudança no senso comum de “estudo” deve ser estabelecida. Nesse contexto, visando garantir ambas saúde e realização dos jovens, cabe aos Ministérios da Sáude e da Educação e Cultura iniciar, por meio de propagandas e de palestras educacionais, a conscientização sobre a visão neurológica do aprendizado. Apenas desse modo será possível conquistar um mundo onde não haja sacrifícios extremos na conquista de simples objetivos.