As consequências da pressão exercida sobre os jovens

Enviada em 19/05/2022

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata

o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de jovens assolados pela pressão exercida sobre eles é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam as causas de origem estatal e social.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa as conseqências negativas da pressão sofrida pelos jovens. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das “Instituições Zumbis”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, poucas atitudes capazes de auxiliarem os jovens quando os mesmos se sentem pressionados são tomadas pelas esferas competentes. Nessa perspectiva, para a refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a omissão da sociedade como outro fator que contribui para a manutenção do problema. Posto isso, a filósofa alemã Hannah Arendt em seu conceito da “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. Diante de tal exposto, é notório que a falta de apoio fornecido pelo tecido civil aos jovens que se encontram em situações de pressão, lamentavelmente, dificulta que os jovens superem esses momentos.

Portanto, medidas capazes de mitigar a problemática são necessárias. Dessarte, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve, por meio de palestras com sociólogos dadas nas escolas, mostrar para os jovens como superar tais situações de pressão, a fim de garantir que desdobramentos negativos não atinjam mais os jovens nesse sentido. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Munch delimitem-se ao plano artístico.