As consequências da pressão exercida sobre os jovens
Enviada em 19/07/2022
Carlos Drummond de Andrade, em “No meio do caminho”, relata uma pedra em sua trajetória. Embora não tenha escrito a obra sobre o viés social, percebe-se o alinhamento com a realidade do Brasil no que tange a pressão exercida sobre os jovens. Nesse sentido, esse entrave tem como consequência o agravamento de doenças mentais – com a influência das redes sociais - e o alto índice de suicídio.
Inicialmente, cabe relacionar as redes socias e a incidência de patologias mentais. Sob essa ótica, de acordo com o conceito de modernidade líquida, de Zygmunt Bauman, as relações modernas são estabelecidas superficialmente, construídas com base naquilo que o indivíduo escolhe mostrar. Dessa forma, a internet atua como armadilha, uma vez que possibilita a propagação da falsa ideia de “vida perfeita”, visto que os usuários compartilham apenas conquistas e momentos felizes. Assim, pressionada para ter uma vida ideal, a juventude apresenta uma crescente em casos de depressão e ansiedade, com aumento de 34% entre 2016-2019, de acordo com o IBGE.
Outrossim, as imposições sociais correlacionam-se com as taxas de atentado à vida. Sob essa perspectiva, de acordo com a educadora parental Elisama Santos, em sua obra “Porque gritamos”, a geração atual de pais, por almejar um futuro profissional promissor aos filhos, insere as crianças em muitas atividades extracurriculares (cursos de dança, idiomas, etc), não permitindo que haja o tempo de ócio necessário, mas sim, uma constante sensação de pressão. Dessa forma, a somatória de imposições ao longo da vida, culmina no aumento de casos de depressão e ansiedade, e faz com que o suicídio seja a segunda principal causa de morte entre os jovens, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Portanto, para mudar o atual cenário, cabe ao Ministério da Saúde investir em conteúdo digital, como “pod-casts” e vídeos, realizados por psicólogos e psiquiatras, que versem sobre a importância do cuidado com saúde mental, incentivem os jovens a compartilharem suas vidas imperfeitas – de forma a naturalizá-las – e alertem os pais sobre a sobrecarga exercida nos filhos. Feito isso, o problema será minorado e a questão deixará de ser uma pedra no meio do caminho dos brasileiros.