As consequências da pressão exercida sobre os jovens

Enviada em 15/08/2022

Em “Encanto”, filme lançado pela Disney em 2021, a personagem Isabela Madrigal sofre introspectamente pela pressão que sua “abuela” lhe coloca, em vista de seus poderes mágicos tidos como perfeitos. Esta situação a submerge em uma bolha de tensão, em que decepcionar sua avó e sua família seria o maior fracasso de sua vida. Fora da ficção, jovens brasileiros vivem situações semelhantes que os fazem duvidar de sua capacidade e desistir de lutar por seu futuro para agradar outrem.

Esses adolescentes, em sua maioria recém saídos do Ensino Médio, começam sua fase jovem adulta encarando o vestibular, que dita onde e como será o seu futuro. Para além desse acontecimento, que por si só possui uma carga abrangente de medo e incerteza, eles recebem uma pressão inibidora vinda, em especial, da própria família. Críticas e comentários invasivos podem causar nesses indivíduos a chamada “Síndrome do Impostor”, em que a pessoa se autossabota diante situações difícieis, acreditando não ter aptdão para superá-las e sente-se incompetente para alcançar seus objetivos sozinho.

Em detrimento disso, a opinião dos pais acaba sendo elevada como decisiva e induz o adolescente a diminuir sua vontade e atender à pressão de qual curso ou profissão seus pais querem que ele siga. A falta de identificação com as atividades realizadas e a carência de propósito e perspectiva são algumas das principais causas de frustação na área de trabalho, segundo a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. Essa escolha de carreira baseada em terceiros leva o jovem a um futuro vazio e insatisfeito, profissional e emocionalmente, já que sua vida foi decidida por subordinação às palavras que escutou quando tinha dezoito anos.

Dessa forma, é perceptível que as consequência da pressão exercida sobre os jovens devem ser amenizadas e, a longo prazo, anuladas. A família, em primeira instância, deve estabelecer diálogos com seus filhos, para dar-lhes oportunidades de dizer o que querem seguir, e prezar por respeitar suas escolhas. Além disso, as escolas podem produzir campanhas de incentivo à visitas ao psicológo, para auxiliar esses adolescentes no período de vestibular. Em um ambiente acolhedor, esses jovens perderão o medo de sua essência e ganharão confiança para crescer a seu modo, assim como Isabela Madrigal fez nascer flores de seus espinhos.