As consequências da pressão exercida sobre os jovens

Enviada em 27/09/2022

Na obra “Odisseia”, do escritor Homero, vê-se o protagonista, após a Guerra de Tróia, cruzando, com muita persistência, um oceano repleto de monstros. É possível estabelecer uma comparação entre essa passagem e a pressão exercida sobre os jovens, já que esse “monstro” contemporâneo tem dificultado a “navegação” harmônica da sociedade brasileira, exigindo dela uma postura de enfrentamento perante tal entrave. Desse modo, cabe analisar essa questão.

De antemão, vê-se que o Estado brasileiro tem se afastado de seu caráter democrático ao permitir que essa problemática persista na atualidade. Isso porque existe um déficit no processo de aplicação da lei vigente, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) deveria garantir o bem estar, físico e psicológico, de jovens no Brasil, mas não vem sendo exercido de fato. Tendo como base os estudos do filósofo Charles de Montesquieu para esclarecer esse contexto, entende-se que a falta de regulação entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) tende a intensificar a negligência de garantias constitucionais, nesse caso, a saúde e a integridade.

Além disso, compreende-se que aceitar a pressão exercida sobre os jovens é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem adotado uma postura inerte diante dessa situação, posto que a naturalização da ansiedade e inseguranças, consequências que acompanham essa adversidade, segundo psiquiatras, resulta na falta da busca por ajuda profissional. Esse fato reitera os discursos da filósofa Hannah Arendt, pois se vê que as pessoas vêm perdendo a capacidade de diferenciar o certo do errado devido a um processo de massificação cultural.

Convém, portanto, ressaltar que o estresse inflingido nos jovens deve ser superado. Para isso, é necessário exigir do Poder Judiciário, por meio de ações midiáticas, a aplicação do ECA, com o objetivo de assegurar a saúde psicológica desses indivíduos. Ainda, é necessário garantir a conscientização do meio social, através de projetos educativos nas escolas e residências, por meio do Ministério da Saúde, para que haja a adoção de uma postura não resignada diante dessa questão. Assim, seria possível a navegação harmônica da população, como na obra de Homero.