As consequências da pressão exercida sobre os jovens
Enviada em 23/05/2023
Sancionada em 1990, a Lei do Sistema Único de Saúde (SUS) descreve de forma multifatorial o que seria uma vida saudável, conceito que abrange aspectos sociais e psicológicos além dos fisiológicos. Entretanto, Indicadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019 demonstram que o Brasil está entre as nações com mais casos de depressão e ansiedade, com alta prevalência sobre a população jovem, a qual passa por pressões diversas na transição para a vida adulta. Diante disso, cabe ao Estado tutelar a saúde mental dessa parcela, a qual deve cobrar por seus direitos de forma ativa.
Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é fundamental para a homeostase (equilíbrio) da saúde pública. Nesse ínterim, tal assertiva é ratificada pelo entendimento do pedagogo Dermeval Saviani, na obra “Pedagogia Histórico-Crítica”, na qual sustenta que o Estado deve prover e pregar uma educação pautada na reflexão e socialização, de modo a afastar-se do viés essencialmente tecnicista e meritocrático, responsável por pressionar demasiadamente os indivíduos no terço final do ensino escolar. Dessa forma, os danos causados pelas exigências do âmbito profissional seriam reduzidos.
Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse contexto, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica o fato de os brasileiros esperarem dos políticos a solução para todas as mazelas. Em contrapartida, o autor defende que resultados melhores surgem quando o povo participa ativamente dos processos de mudança. Por conseguinte, evidencia-se que a conscientização sobre a saúde mental e o autocuidado deve ser iniciada precocemente, nas famílias e nas escolas.
Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue diuturnamente para prover a saúde pública em seu conceito ampliado, conforme a lei do SUS. Ademais, é mister que os parlamentares proponham a obrigatoriedade de acompanhamento psicossocial de qualidade nas escolas e universidades do país. Assim, gradativamente, o país colherá os frutos das ações empreendidas.