As consequências da pressão exercida sobre os jovens

Enviada em 11/09/2023

“De repente acordo, olho pro lado e o danado já foi trabalhar, olha ai”, canta Chico Buarque de Holanda ainda na década de 80 na canção “O meu guri”. Na referida canção, Chico retrata o quão angustiante é a pressão social sobre jovens no país. Dessa forma, apesar deste tema estar vindo a ganhar a merecida visibilidade já no século vinte e um, o cantor e compositor aponta que não é um fato recente. O que faz com que seja possível inferir à atual condição as origens vindas de uma cada vez maior exigência geral e uma grande exposição a padrões de vida irreais.

Nessa linha de raciocínio, pesquisas apontam que cada vez mais o mercado trabalhador procura por profissionais multifuncionais para substituir aqueles extremamente especializados. Entretanto, a “multifuncionalidade” em questão é um padrão muito rigoroso a ser seguido, que começa a ser imposto ainda na infância da população. Além da busca por adaptação para o mercado, como disse Bloch: “Os homens se parecem mais com seu tempo do que com seus ancestrais”, evidencia-se que, principalmente para jovens, a necessidade de pertencer a um grupo estimula outro molde cultural e consequentemente, mais pressão.

Dessa forma contanto também com o avanço da tecnologia e alta popularização das redes sociais, novas e mais rígidas normas são estabelecidas. Como a busca pelo corpo perfeito em resposta à alta comparação com fotos editadas da internet. Uma evidência é o aumento de transtornos alimentares e mentais proporcional ao crescimento de plataformas como o instagram. Somado a isso, devido ao mesmo avanço anteriormente citado, a expectativa sobre as realizações da sociedade juvenil apenas aumentam, justamente por causa da banalização de grandes conquistas. Isso porque, dentro do meio tecnológico, é muito simples forjar uma realização anteriormente associada a muito trabalho e alegar pouco esforço.

Dito isso, em prol de reverter o atual óbice, o Ministério do Trabalho promoverá ações coletivas para facilitar a inserção do jovem no mercado de forma sutil e assistida, oferecendo acompanhamento psicológico gratuito e boas condições de trabalho. Em paralelo, as grandes mídias organizarão campanhas contra o comportamento social de exposição de uma realidade inalçável, promovendo filmes e propagandas com nomes influentes sobre autoaceitação.