As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 11/09/2019

Segundo Hannah Arendt, “cidadania é o direito a ter direitos”, de forma que constitui a base de uma sociedade justa. Contudo, a educação, um direito humano elementar, não é efetivamente garantida a todos os brasileiros, posto que crianças e jovens com distúrbios de aprendizagem encontram impedimentos no acesso à educação. Assim, faz-se necessário analisar as causas sociais do problema, a fim de solucioná-lo.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a principal causa desse grave cenário é a falta de preparo de pais e professores em lidar com esses estudantes, que representam uma parcela significativa da população em idade estudantil. Nesse sentido, um estudo publicado pela revista Science indica que cerca de 10% da população mundial possui algum tipo de transtorno de aprendizagem, como déficit de atenção, dislexia e discauculia. Assim sendo, é preocupante que educadores e familiares não saibam como agir na educação desses jovens ou até mesmo desconheçam a existência de tais distúrbios, que, com o devido diagnóstico e acompanhamento especializado, podem ser amenizados.

Outrossim, a falta de adaptação curricular e pedagógica das escolas representa um cerceamento de direitos constitucionais desses estudantes. Nessa lógica, a Constituição Federal prevê, em seu artigo 8º, o dever de as escolas flexibilizarem e adaptarem os currículos e metodologias, bem como oferecerem serviços de apoio em sala por professores especializados, com o intuito de atender estudantes com necessidades especiais. À vista disso, é notória a urgência de medidas que visem à devida inserção escolar dos portadores de distúrbios de aprendizagem.

Destarte, cabe ao governo Federal, por intermédio do MEC, promover medidas de capacitação de professores, assim como de informação da sociedade. Para tando, deve criar cursos online e gratuitos direcionados aos educadores acerca da educação de estudantes com tais distúrbios. Ademais, deverá desenvolver uma campanha nacional de divulgação de informações sobre transtornos de aprendizagem, por meio da veiculação de cartazes, comerciais e postagens nos meios de comunicação, além de realizar palestras para pais e alunos nas escolas. Somente assim, será possível assegurar a esses estudantes a plena cidadania e direitos.