As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 16/10/2019

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lugar de criança é no ambiente escolar. Juntamente com essa diretriz, a constituição brasileira de 1988 garante que é dever do Estado prover educação de maneira universal a todos os cidadãos do país, sem exceção. Nesse sentido, no que tange a questão da inserção das crianças com distúrbio de aprendizagem na escola, observa-se a configuração de um grave problema, em virtude da falta de responsabilidade política e do individualismo das pessoas. Diante disso, precisa-se conhecer os diversos estigmas desse dilema, para solucioná-lo.

Em uma primeira análise, a persistência da problemática é intrinsecamente fomentada pela falta de responsabilidade política. Com os cortes que a pasta da educação vem sofrendo nos últimos anos, as escolas do país não conseguem efetivar os princípios estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC) para o ensino diferenciado. Associada a isso, a crise econômica que os país perpassa desde o seu auge, em 2015, tem feito com que muitos cidadãos indisponham de recursos para optarem pela rede privada, o que, dessa forma, afasta os sujeitos portadores de distúrbios da incorporação efetiva nos colégios, visto que acabam no ensino regular devido à ausência do apoio estatal. Nesse sentido, se - segundo Aristóteles - a política tem como objetivo garantir a integração da sociedade, é evidente constatar que a falta de responsabilidade dela fomenta a segregação desse grupo frente à comunidade.

Ademais, em um segundo plano, o individualismo dos indivíduos é um mecanismo intenso desse impasse. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, ou seja, uma época de artificialidade nas relações humanas que é caracterizada pelo individualismo. Assim, a falta de empatia das pessoas e a dificuldade em aceitação ao diferente fomentam diversas mazelas sociais, tais como  o preconceito, o bullying e a discriminação contra os portadores de distúrbios de aprendizado que, consequentemente, desestimula-os a frequentarem o ambiente escolar. Desse modo, o quadro do panorama líquido se configura como uma importante dificuldade para que eles se insiram nas escolas.

Portanto, a falta de responsabilidade política e o individualismo das pessoas são importantes vetores desse problema. Destarte, faz-se necessário que o Poder Público, em parceria com o MEC, promova a garantia de infraestrutura para a efetivação do ensino diferenciado. Por meio de investimentos na pasta da educação e da administração através do MEC, as escolas devem realizar o treinamento de professores e a contratação de funcionários para o acompanhamento dedicado a esse grupo, pois, dessa maneira, será possível assistir a esses sujeitos e garantir a inserção deles na escola. Agindo assim, a construção de uma sociedade em que os princípios constitucionais e as diretrizes do ECA sejam garantidos tornar-se-á uma realidade empírica, não um ideal ou uma utopia.