As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola

Enviada em 21/10/2019

Escola de portas e mentes abertas

O educador italiano Loris Malaguzzi em seu poema “Invence il cento c’è” denuncia: “A criança é feita de cem linguagens, mas roubaram-lhe noventa e nove […]. A escola e a cultura roubam-lhe noventa e nove”. Tal verso revela a forma padronizada de a escola tratar seus alunos, a saber, que todos aprendam da mesma forma, que todos se expressem da mesma maneira, cerceando as múltiplas linguagens e manifestações humanas. Lidar cotidianamente com as diferenças é um grande desafio no contexto escolar dada a multiplicidade de seus atores.

Nesse contexto, a criança com distúrbios de aprendizagem tem encontrado um ambiente despreparado e, portanto, carregado de preconceitos. Além da escola, a família, que exerce papel fundamental no desenvolvimento da criança, tem contribuído para o aumento das dificuldades de inserção escolar, seja pela falta de informações ou pela negligência ao recorrer a especialistas.

Em um ambiente de desinformação e preconceito acerca das diferenças e necessidades especiais, o fracasso escolar tem grandes chances de acontecer e junto com ele, a evasão e invisibilidade de tais alunos, aumentando assim, o abismo social que os dividem do meio tido como “normal”.

Para o enfrentamento das dificuldades na inserção escolar de tais crianças, é fundamental a parceria entre família e escola. É no diálogo que ambas complementar-se-ão no processo educativo. Aos pais, faz-se necessário o acompanhamento e a busca por especialistas. À escola, cabe o papel de mapear as necessidades especiais e, em parceria com especialistas, orientar o trabalho docente mediante formação continuada, acolher e respeitar as diferenças entre todos, promover debates e adequar os conteúdos de modo acessível, gerando assim uma cultura de inclusão que ganhará espaço à medida que for vivenciada por todos.