As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 31/10/2019
De acordo com o escritor brasileiro Rubem Alves, há escolas que são asas e escolas que são gaiolas. Desse modo, no que tange à inserção de crianças com distúrbios de aprendizagem nas escolas, essas instituições figuram como gaiolas, visto que são muitos os entraves desse processo. Assim, vale ressaltar, como fatores agravantes dessa problemática, o modelo de ensino vigente demasiado retrógrado e padronizador, e o despreparo dos professores.
Em primeira análise, cabe destacar que o sistema educacional atual, além de antiquado, é padronizador. Segundo Alves, em seu conto “Sobre Vacas e Moedores”, as escolas destroem as individualidades, transformando todos em uma pasta homogênea. Desse modo, ao tratar todas as crianças como de não possuíssem características individuais, as que sofrem de algum distúrbio de aprendizagem são as mais afetas, uma vez que têm essa diferença.
É importante ressaltar, ainda, que o despreparo por parte dos educadores figura como uma dessas dificuldades. Segundo Selma Garrido Pimenta, professor titular sênior da Faculdade de Educação de São Paulo, os cursos de pedagogia não têm “identidade de docência”, são “dispersos” e “sem foco”. Em consequência disso, os professores têm dificuldades em identificar tais alunos e oferecer-lhes apoio especializado, o que só agrava o problema.
Portanto, para amenizar as dificuldades dessas crianças de se inserirem na escola, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) atualizar o sistema de ensino, introduzindo sobre a formação docente uma agenda adequada para a formação de pedagogos. Isso deve ser feito visando formar profissionais capazes de identificar as individualidades de cada aluno, para que estes não se tornem uma “massa homogênea”. Assim, os canarinhos enjaulados serão libertos, e poderão voar livremente pelo céu azul brasileiro.