As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 13/04/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a educação e ao bem-estar social. Conquanto, as adversidades que as crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) enfrentam na sua alfabetização impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nesse sentido, convém analisar as principais causas de tal postura para a sociedade.
Mormente, pode-se apontar como um empecilho para o público juvenil com dificuldade na aquisição de conhecimento, ao ser inserido no ensino regular, o individualismo dos docentes. Na obra “Modernidade Líquida”, Zigmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apensa para si. Essa falta de empatia influencia na maneira como os professores, não especializados, percebem as dificuldades de aprendizagem, aludem como uma falta de interesse ou esforço por parte da criança, corroborando como um forte empecilho para o desenvolvimento cognitivo.
Faz-se mister, ainda, salientar o desconhecimento da população sobre os diversos tipos de dificuldades de aprendizagens escolares infantis. O TDAH afeta em torno de 3% a 6% das crianças, tendo início antes da idade escolar e há um predomínio de 2 a 3 vezes mais no sexo masculino, de acordo com o artigo científico escrito por Monteiro em 2014 e publicado na “revista saúde e desenvolvimento humano”. Pierre Bourdieu versa sobre o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de disseminar tais informações, que são relevantes, com a comunidade social, acaba influenciando na consolidação do problema tratando-o de forma irrelevante.
Portanto, com o intuito de garantir que o pedagogo instrua a criança com TDAH em seu pleno desenvolvimento cognitivo, urge que o Ministério da educação ofereça orientação sobre os distúrbios de aprendizagem em contexto escolar, para que os professores possam lidar com estas demandas de forma adequada, por meio de cursos ministrados no contra turno do horário de trabalho para que estes profissionais possam se capacitar sem prejudicar sua rotina laboral. Somente assim, o Brasil poderia superar os desafios que a criança com dificuldade escolares enfrenta no ambiente acadêmico.