As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 23/05/2020
O que é ser inteligente?
A inteligência é um termo designado à capacidade de aprendizagem dos indivíduos em determinada área do conhecimento, e encontra-se diretamente atrelado à facilidade em que é adquirido. Tal percepção ocorre, a princípio, no ambiente escolar, visto que este é o primeiro espaço de integração social e educacional da parcela majoritária da população. Entretanto, embora os avanços científicos comprovem a existência de condições neurológicas que limitam o desenvolvimento da aprendizagem convencional, e que exigem atenção e cuidados especiais, a escola permanece representando um cenário de traumas para crianças como distúrbios de aprendizagem, que são alvos de predestinações fracassadas e incompreensão.
Dessa forma, diante da filosofia do sociólogo francês Émile Durkheim, a educação atua como fato social que insere os indivíduos como cidadãos na sociedade, e, esta, age como determinante na vida de seus integrantes, exigindo que se adaptem. Assim, os recursos didáticos das escolas brasileiras apresentam um padrão que inclui alfabetizar e, posteriormente, preparar para os exames de inserção ao ensino superior, que é um indicativo de sucesso profissional. Consequentemente, corrobora-se a rotulação de alunos que apresentam déficit de atenção e óbices em suas trajetórias de adaptação, resultando na frustração ao aceitarem, equivocadamente, que estão destinados a um futuro sem sucesso.
Não obstante, embora “ser inteligente” remeta à ideia de um bom raciocínio e desenvolvimento escolar, há inúmeras inteligências e genialidades humanas além da intelectual, como a arte, a música e as habilidades manuais, que devem ser respeitadas e estimuladas, uma vez que possuem um relevante papel na construção social. Ademais, genialidades contemporâneas como Steve Jobs e Bill Gates, criadores dos grandes impérios tecnológicos da Apple e Microsoft, respectivamente, retrataram suas evasões do sistema tradicional da ensino para que suas habilidades fossem estimuladas, tal como ocorreu com diversas figuras artísticas públicas que atuam como paradigmas.
Portanto, o Ministério da Saúde deve buscar erradicar o preconceito causado pela falta de informação ao divulgar, através de veículos midiáticos, como os pais e professores devem reconhecer os distúrbios de aprendizagem em crianças. E, concomitantemente, o Ministério da Educação deve fornecer acesso a psicopedagogos nas escolas, preparados para orientar os alunos e familiares diante de tal situação acerca de tratamentos e recursos adaptativos disponíveis. Destarte, a escola se tornará um ambiente saudável para todos, buscando estimular as inteligências das crianças ao invés de frustrá-las.